Rodrigo Abd / AP
Rodrigo Abd / AP

Argentina analisará DNA de assessor de promotor

Investigadores encontram material genético de outra pessoa no apartamento de Alberto Nisman e suspeitam ser de auxiliar

Rodrigo Carvalho. de Buenos Aires / Correspondente, O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 18h17

BUENOS AIRES - Amostras de DNA que não são do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no dia 18 com um tiro na cabeça, foram detectadas em uma xícara em seu apartamento em Buenos Aires, informou nesta terça-feira, 10, a Justiça argentina.

O auxiliar de informática Diego Lagomarsino, que em uma entrevista coletiva admitiu ter tomado um café na casa do promotor na véspera de sua morte, dia em que lhe emprestou a arma calibre 22 de onde saiu a bala, foi convocado pela Justiça a ceder material genético para o cruzamento das amostras.

A comprovação de que o DNA é de Lagomarsino apenas atestaria sua própria versão, de que esteve no apartamento no bairro de Puerto Madero duas vezes no dia 17.


Na primeira das duas vezes em que disse ter estado no apartamento de Nisman, Lagomarsino afirmou que o promotor pediu-lhe uma pistola porque “não confiava nem em seus guarda-costas”. Na segunda vez, às 20 horas, deixou a arma. O técnico em informática, que trabalhava diretamente com Nisman, disse ter alertado: “É uma arma velha, uma 22, de quem você vai se defender com isso?”, afirmou no dia 28.

Segundo Lagomarsino, o promotor respondeu: “Não se preocupe, é para levar no porta-luvas, para o caso de um louco com um pau me chamar de traidor ou filho da p.”.

Desde o início do caso, o Ministério Público tem fornecido evidências diárias que reforçam a hipótese de suicídio. Não se detectaram pistas de uma segunda pessoa no banheiro em que foi encontrado o corpo e o disparo ocorreu a menos de um centímetro da cabeça.

Para 72% dos argentinos, segundo o instituto Carlos Fara, entretanto, trata-se de um homicídio ou de um “suicídio induzido”. Os argumentos técnicos que reforçam a tese de crime são de que um suicida normalmente dispara na boca ou contra a têmpora. Além disso, escolhe um calibre mais potente.

As evidências mais subjetivas seriam as circunstâncias da morte, ocorrida quatro dias depois de Nisman denunciar a presidente Cristina Kirchner, o chanceler Héctor Timerman e outros dirigentes do governo por proteger altos funcionários iranianos da acusação judicial de terem praticado o atentado que, em 1994, matou 85 pessoas na Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia).

A hipótese de um crime é defendida pela família, pela oposição e pela própria presidente, que logo após a morte chegou a declarar em rede nacional que suspeitava de suicídio. Dias depois, ela mudou de ideia e disse que suspeitava de um “homicídio com intuito de prejudicá-la”.

A partidarização do caso, a oito meses da eleição presidencial, fez com que a promotora Viviana Fein, que investiga a morte, repetisse várias vezes que não está sendo influenciada pelo governo. O anúncio sobre o DNA encontrado na cozinha de Nisman foi feito ontem pela juíza Fabiana Palmaghini. A ausência da promotora Viviana foi interpretada como indício de que ela está envolvida em colher em sigilo o depoimento de Horacio Jaime Stiuso, espião que, a partir de 2004, trabalhou na investigação do caso Amia com Nisman.

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