Argentina aprova anistia para dólares não declarados

Segundo líderes da oposição argentina, nova legislação transformará o país em paraíso da lavagem de dinheiro

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

31 Maio 2013 | 02h02

O Congresso argentino aprovou na quarta-feira à noite a lei que anistia o retorno dos dólares que milhares de argentinos guardaram no colchão ou em contas no exterior. A lei permite que pessoas e empresas introduzam na Argentina dólares sem informar a origem dos fundos ou pagar multas e impostos sobre o dinheiro.

A oposição caracteriza a lei como uma megaoperação de lavagem de dinheiro. Segundo líderes opositores, ela permitirá que políticos e empresários aliados do kirchnerismo oficializem dinheiro ilícito que estava fora do país (ou dentro da Argentina, embora fora do sistema financeiro).

Segundo críticos do governo de Cristina Kirchner, o país se transformará em um "paraíso" da lavagem de dinheiro. A oposição suspeita que parte desse dinheiro poderia ser utilizada por aliados do governo durante a campanha para as eleições das convenções partidárias, em agosto, além das eleições parlamentares de outubro.

A nova norma está sendo ironicamente chamada de "Lei Lázaro", em alusão ao empresário Lázaro Báez, amigo e ex-sócio do ex-presidente Néstor Kirchner, investigado pela suposta lavagem de pelo menos 60 milhões. O ministro da Economia, Hernán Lorenzino, nega que a Argentina vá se tornar um paraíso fiscal.

A lei determina um prazo de três meses para a legalização dos dólares, que deverão ser trocados por bônus públicos do setor energético e de infraestrutura. Os fundos serviriam para financiar a petrolífera estatal YPF, que perdeu metade de seu valor de mercado desde o ano passado. A manobra do governo pretende aumentar a quantidade de moeda americana no mercado e impedir a continuidade da escalada do dólar no paralelo, além de injetar fundos nos cofres do Estado, que acumulou um déficit fiscal de mais de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre do ano.

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