Argentina aprova voto a partir dos 16 anos

O Senado da Argentina aprovou na noite de quarta-feira um projeto de lei que permite o voto de jovens a partir de 16 anos já nas eleições parlamentares do próximo ano, que vão renovar metade da Câmara e um terço do Senado. O resultado eleitoral do ano que vem vai determinar se a presidente Cristina Kirchner tentará um terceiro mandato em 2015.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE (AE), Agência Estado

18 de outubro de 2012 | 08h17

Atualmente, as leis nacionais não permitem a candidatura de Cristina pela terceira vez consecutiva. Porém, o governo busca uma vitória que lhe proporcione maioria absoluta no Congresso, capaz de reformar a Constituição e abrir essa possibilidade de uma nova reeleição. Na Argentina, os cidadãos se habilitam a votar depois dos 18 anos. Com o projeto aprovado, essa idade baixa para os 16 anos.

O movimento político de jovens na Argentina, denominado La Cámpora, tem sido o principal braço de apoio do governo de Cristina desde a morte do marido dela, Néstor Kirchner, em outubro de 2010. Os "camporistas", liderados pelo filho de Cristina, Máximo, substituíram técnicos e homens do Partido Peronista da maioria dos cargos de confiança do governo. Também ocupam lugares destacados em empresas estatais, como a Aerolíneas Argentinas, cujo presidente pertence ao La Cámpora. Além disso, vários são deputados.

Por 52 votos a favor, três contra e duas abstenções, os senadores governistas não tiveram maiores problemas para votar a proposta oficial. Na Câmara, para onde o projeto foi enviado, a expectativa é de que também seja aprovado. O deputado opositor Pino Solanas (Projeto Sul) explicou à AE que é a favor do voto aos 16 anos, mas é contra que essa possibilidade seja dada a partir das próximas eleições.

"É uma lei eleitoreira e deveria ser regulamentada para futuras eleições, não para a próxima", disse ele. Solanas ponderou também que "é preciso ver se os dois milhões de jovens que ficarão habilitados darão seus votos ao governo". A oposição afirma que a lei é uma estratégia do governo para ampliar sua base de apoio, já que as pesquisas de opinião têm mostrado um severo desgaste da presidente desde que foi reeleita, em outubro de 2011, com 54% dos votos. A consultoria Management & Fit mostrou que o índice de aprovação de Cristina Kirchner é hoje de apenas 30%.

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