Argentina: Bancos receberão comissão de 0,55%

Os sete bancos escolhidos pelo governo da Argentina para coordenar a operação de troca da dívida do país receberão uma comissão de 0,55% sobre o valor total da operação. Ontem, o secretário de Finanças da Argentina, Daniel Marx, divulgou o nome dos bancos que ganharam o mandato para realizar a operação. Os bancos Galícia, BSCH (Santander Hispano), BBVA Banco Francês e HSBC ficarão responsáveis de coordenar a troca da dívida com os investidores locais, enquanto que os bancos CS First Boston, JP Morgan e Salomon Smith Barney coordenarão a troca com os investidores estrangeiros.O montante total da operação não foi divulgado. Há estimativas de que a troca poderá ficar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões. O objetivo da operação é ampliar os vencimentos das obrigações do governo argentino, aliviando as pressões sobre as contas públicas e afastando o temor de default (moratória) por parte do governo argentino.Até 2006, vencem cerca de US$ 56 bilhões. Desse total, algo em torno de dois terços estão nas mãos de bancos locais e de fundos de pensão argentinos. A dívida total (curto e longo prazos) do País soma US$ 128 bilhões. Ontem, Daniel Marx disse que os títulos de curto prazo serão o foco da operação, mas ele não descartou incluir na troca "alguns" títulos de longo prazo, de vencimento até 30 anos.Nesse caso, o objetivo seria não de alongar a dívida, mas negociar uma taxa de juros mais baixa para algum título de longo prazo que for incluído na troca. Quanto aos papéis de curto prazo, a idéia é trocar para bônus de sete, 10 e 15 anos. Os detalhes da operação - como o valor total da troca, as características dos títulos a serem trocados e a taxa a ser paga - somente serão conhecidos depois que as autoridades legais nos Estados Unidos (como a Securities and Exchange Commission) e na Argentina derem o sinal verde. Mas a expectativa do governo argentino é de que a taxa de risco do país (a diferença entre a taxa paga pelo título argentino em relação ao que se paga pelo título do Tesouro norte-americano) caia pelo menos para 700 a 800 pontos-base.Atualmente, essa taxa está acima de 1.000 pontos-base, ou 10 pontos percentuais acima do título equivalente do Tesouro norte-americano. O governo espera uma queda na taxa de risco do país, após a divulgação dos bancos escolhidos para fazer a operação e também do acordo final com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja nova carta de intenções foi divulgada nesta sexta-feira.Segunda-feira, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, fará uma apresentação no Departamento de Estado norte-americano pela manhã e, à tarde, se reunirá com o presidente George W. Bush. A viagem de Cavallo aos Estados Unidos teve início ontem, com uma palestra na Universidade de Harvard (Boston). Cavallo esteve reunido, hoje pela manhã, com banqueiros em Nova York dando continuidade às negociações da operação de troca da dívida.

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