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Argentina confirma que antecipará eleições legislativas

A presidente Cristina Kirchner confirmou na tarde de hoje a decisão do governo de antecipar as eleições legislativas do dia 28 de outubro para 28 de junho. "Vou enviar na segunda-feira ao Congresso o projeto de lei para antecipar as eleições de 28 de outubro para 28 de junho", afirmou a presidente, durante discurso na província de Chubut. Cristina argumentou que as eleições precisam ser adiantadas porque o país não pode sustentar uma série de eleições até outubro em meio a uma crise internacional de tamanha dimensão.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

13 de março de 2009 | 14h57

"Seria suicida enfrentar tantas eleições, quando o mundo se cai aos pedaços sobre nós", argumentou, completando que "tenho a obrigação indelegável de tomar todas as medidas que permitam que o país siga crescendo e que os argentinos tenham trabalho". "Neste desastre que é o mundo, não se pode realizar uma espécie de maratona de eleições até outubro e, por isso, sugerimos o dia 28 de junho para todas as eleições legislativas do país", anunciou.

Pela legislação atual, a escolha dos ocupantes do Congresso está marcada para o dia 28 de outubro, enquanto cada província tem sua própria data para eleição de deputados e vereadores. A província de Catamarca já realizou a sua eleição no domingo passado, na qual a oposição ao "kirchnerismo" obteve uma contundente vitória.

"A crise é grave e nos demanda uma atitude diferente por parte de cada um de nós", destacou Cristina. As eleições vão renovar um terço do Senado e metade da Câmara, além dos deputados e vereadores das províncias. Os analistas afirmam que a manobra partiu do ex-presidente Néstor Kirchner, atual presidente do Partido Justicialista (PJ), com o objetivo de evitar o desgaste político que surge a cada dia com a deterioração da economia.

Os resultados de Catamarca poderiam ser replicados em algumas importantes províncias, como Santa Fe e Buenos Aires. O desgaste político do "kirchnerismo" não é novo. Os problemas tiveram início apenas três meses após a posse de Cristina, em março do ano passado, quando o governo decidiu abrir um conflito com o setor agropecuário.

''Manipular eleições''

As diferenças entre os dois lados levaram o "kirchnerismo", em julho do ano passado, à sua primeira derrota no Congresso dos últimos cinco anos. Na ocasião, com seu voto negativo, o vice-presidente Julio Cobos desempatou a votação do projeto do Executivo de aumentar os impostos de exportações agrícolas.

Para a senadora Maria Elena Stenssoro, da Coalición Cívica, da oposição, "a manipulação de uma lei eleitoral e de uma data votada pelo Congresso há mais de dois anos provoca danos à qualidade institucional de um país". O líder da bancada da Unión Cívica Radical (UCR), Ernesto Sanz, por sua vez, disse "em nenhum país do mundo se manipula as eleições porque o governo está mais ou menos debilitado".

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