EFE/ Juan Ignacio Roncoroni
EFE/ Juan Ignacio Roncoroni

Argentina decide estender isolamento obrigatório até 7 de junho

País viu casos aumentarem 5 vezes Buenos Aires em duas semanas; casos cresceram na periferia e em bairros populares

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2020 | 14h22

BUENOS AIRES - O presidente da Argentina, Alberto Fernándezdecidiu estender o isolamento social obrigatório até 7 de junho após observar uma rápida aceleração na disseminação do novo coronavírus em seu país. Em Buenos Aires, epicentro da pandemia, os casos aumentaram cinco vezes nas últimas duas semanas.

"Vamos prolongar a quarentena até 7 de junho. Os casos cresceram excessivamente nos bairros populares de Buenos Aires", disse Fernández em entrevista no sábado. 

Buenos Aires e sua periferia acumulam 87,5% dos casos de covid-19 da Argentina. O total no país é de 11.340 contágios, com 445 mortes. "Há uma concentração muito clara nos bairros populares. Agora vamos trabalhar basicamente para eles. Vamos aumentar o número de testes e com isso também aumentarão os casos", disse Fernández. 

Segundo Fernández, não há antecedentes de casos assim na Europa ou nos Estados Unidos porque as condições socioeconômicas são muito diferentes da Argentina e do restante da América Latina. "Precisamos que a população confia em nós". 

Nesta nova etapa, as autoridades fortalecerão os controles para que apenas os trabalhadores de serviços essenciais possam viajar em transporte público na região metropolitana de Buenos Aires.

Na capital, continua em vigor a autorização para passeios recreativos para crianças nos finais de semana, por até uma hora, perto de suas casas e na companhia de um dos pais. Lojas de bairro também podem operar, mas os shopping centers não.

Flexibilização e preparação

O país entrou em isolamento social obrigatório em 20 de março. Há duas semanas, flexibizou o distanciamento nas províncias sem novos casos. Nos últimos dois meses, o governo adquiriu equipamentos médicos e instalou hospitais de campanha para enfrentar o avanço da pandemia.

Em Buenos Aires, apenas 15% dos leitos de terapia intensiva com respiração estão ocupados no momento, segundo o prefeito Horacio Rodríguez Larreta. Mas o presidente alertou que, se uma alta taxa de infecção continuar, não haverá sistema de saúde capaz de responder.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a América do Sul é "o novo epicentro" da covid-19, com crescimento dos casos em Brasil, México, Peru e Argentina.

Fernández observou que, na sexta-feira, 19 províncias argentinas não apresentaram novos casos e outras 10 não registraram novas infecções na última semana. Nesses locais, a atividade econômica recuperou até 80%, segundo o presidente. A Argentina, em recessão desde há dois anos, viu o agravamento da queda da atividade econômica devido à pandemia. 

O governo organizou importantes subsídios para os setores mais vulneráveis ​​da população e também para as empresas. / AFP

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