Argentina: denúncia de Nisman foi 'vergonhosa', diz Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse neste domingo ter considerado "vergonhosa" a atitude do fiscal Alberto Nisman, encontrado morto no começo do ano. O funcionário havia acusado a líder do país de ter ajudado a encobrir iranianos acusados de um atentado a um centro judeu. Segundo Kirchner, no entanto, ele ao mesmo tempo enaltecia as medidas tomadas durante seu governo para esclarecer o ataque.

Estadão Conteúdo

01 Março 2015 | 18h04

"Com qual Nisman eu fico? Com o que nos acusa de ocultação ou com o que se dirigia a mim reconhecendo tudo o que havíamos feito?", questionou a governante em discurso diante da Assembleia Legislativa durante a abertura das sessões ordinárias do Congresso.

O fiscal foi encontrado morto em 18 de janeiro, quatro dias após denunciar a presidente. A acusação, no entanto, foi indeferida pelo juiz federal Daniel Rafecas, que considerou que a denúncia carecia de provas de que Kirchner tenha cometido qualquer tipo de delito.

Ovacionada e aplaudida pelos parlamentares governistas, ela se referiu a uma documentação encontrada em caixa forte de Nisman composta por dois textos que, segundo Rafecas, foram elaborados com uma "postura diametralmente oposta" à que o fiscal expressou contra a presidente em sua denúncia de 14 de janeiro. "O caso deveria se chamar Nisman contra Nisman", disse Kirchner sobre as contradições em que o investigador aparentemente incorreu.

"O que aconteceu entre o momento em que o fiscal Nisman saiu de férias e voltou, que em vez de apresentar o documento que iria apresentar, apresentou uma denúncia?", questionou a presidente. O juiz Rafecas destacou que o texto deixado pelo investigador destacava "considerações absolutamente positivas da política de Estado do governo nacional, desde 2004 até a atualidade".

A misteriosa morte de Nisman gerou uma crise política e institucional que prejudicou a imagem de Kirchner no seu último ano de governo. A presidente já havia desqualificado a denúncia do falecido em outras ocasiões e afirma que um ex-chefe de inteligência teria fornecido dados falsos ao fiscal para fundamentar a acusação. Ela sugere também que esse agente poderia estar por trás da morte do investigador. Fonte: Associated Press.

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