Argentina deu sinal a violadores de direitos humanos, diz Lagos

A Argentina deu "um sinal muito forte" de que as violações dos direitos humanos podem ser julgadas fora do país em que ocorrem, disse hoje o presidente chileno, Ricaro Lagos, em uma entrevista à Rádio W, ao ser consultado sobre a anulação, pelo presidente argentino Néstor Kirchner, de um decreto que proibia a extradição de militares acusados de abusos durante a última ditadura no país.A anulação do decreto, emitido em 2001 pelo então presidente Fernando de la Rúa, foi seguida pela prisão de numerosos ex-militares incluídos em uma lista de 46, cuja extradição está sendo pedida pelo juiz espanhol Baltazar Garzón."A decisão do governo argentino serve como um forte sinal de que diante de determinado tipo de delitos há hoje em dia uma espécie de jurisdição internacional", disse Lagos. "No final do século 20, o ser humano se deu conta de que, quando os direitos humanos são violados em outro lugar, essa violação deve ser sancionada - e, se não o for no lugar em que ocorreu, deve ser além de suas fronteiras. Devem ser julgados e castigados", acrescentou. Lagos disse que no Chile, onde se viveu um longo período de abusos sob a ditadura do general Augusto Pinochet, "são os tribunais de justiça" os que decidem sobre pedidos de extradição de qualquer cidadão.Disse também que dentro de 10 a 15 dias divulgará um proposta destinada a resolver problemas pendentes em relação a esse tipo de violações.

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