Argentina deve fechar nova meta de superávit com FMI

O acordo entre a Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê metas de expansão monetária e de superávit primário para 2003, segundo fontes dos organismos multilaterais. A meta de superávit pode ficar em torno de 2,5% do PIB, e a carta de intenções pode ser divulgada ainda no início desta semana. Em termos da meta monetária, o acordo argentino difere do fechado com o Brasil em 1999, que incluiu uma meta de inflação. A visão comum do FMI e da Argentina é a de que o país não dispõe dos mecanismos necessários para iniciar um sistema de metas de inflação agora. Segundo o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, o processo de negociação do acordo firmado hoje entre o seu país e o Fundo Monetário Internacional (FMI)representou um conflito entre aspectos técnicos e políticos. "Graças a Deus, o político prevaleceu", disse Duhalde hoje em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial. Na verdade, a história é um pouco mais complexa. As divergências entre o FMI e a Argentina no longo e sofrido processo de fechamento do acordo não foram apenas entre a visão técnica e a política, como sustentou o presidente Duhalde. Duas visões técnicas também entraram em conflito. Do lado argentino, o risco de hiperinflação era avaliado como bem menor do que aquele percebido pelo Fundo e boa parte do mercado financeiro. Isto levou com que o parâmetro de inflação do acordo, em torno de 35% em 2003, seja maior do que a meta com que o governo argentino trabalha, de pouco mais de 20%.Da mesma forma, o acordo prevê um crescimento de 1,7% em 2003, enquanto o argentino trabalha com um mínimo de 2,5% - possivelmente 3%. Entre 2002 e 2003, a Argentina passou por uma redução da despesa primária consolidada do governo, em todos os níveis, de 32% do PIB para 23%. Isto foi atingido de forma extremamente dolorosa, pela redução das despesas públicas (inclusive salários) pela inflacao de 41%, mas com uma manutenção da receita de impostos que incidiam sobre o preço de bens inflacionados. Foi este esforço fiscal, na visão de alguns analistas, que teria impedido a hiperinflação prevista por grande parte do mercado financeiro. Os problemas à frente da Argentina, no entanto, permanecem gravíssimos. O colapso do sistema financeiro não foi ainda resolvido, e o país deve tentar aplicar uma redução no principal da dívida entre 50% e 80% do principal. A mensagem básica de Duhalde, porém, foi a de que, apesar do horror econômico vivido pelo país (que ele descreve em termos dramáticos), o pior já teria passado. Para o presidente da Argentina, parte da responsabilidade pela crise do país reside com o establishment financeiro internacional, que tentou impor um modelo econômico equivocado à América Latina, e que não levou em consideração o processo histórico da região. "Em 1998, quando as agências internacionais nos apontavam como exemplo, foi registrada a maior concentração econômica da história da Argentina". Duhalde pareceu descartar a volta de Carlos Menem ao governo do país, ao dizer que tanto ele (Duhalde) quanto o ex- presidente representavam "o passado, e não o futuro".

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