Argentina diz ser alvo de ataque especulativo clássico

A Argentina é vítima de ataques especulativos para "deteriorar a credibilidade e confiança" no governo, afirmou hoje Jorge Capitanich, chefe de Gabinete de Ministros do país, equivalente à Casa Civil no Brasil. Em entrevista coletiva concedida hoje pela manhã, ele declarou que esse tipo de ataque é uma "receita clássica do neoliberalismo para quebrar o país e ficar com seus recursos energéticos e naturais a preço de liquidação".

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

28 de janeiro de 2014 | 12h21

Para o ministro, entre os ativos mais apreciados na mira dos especuladores, destaca-se a formação rochosa denominada Vaca Muerta, na Patagônia, considerada a terceira maior reserva potencial de combustíveis não convencionais do mundo, e os aquíferos. Juntos, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, são donos do aquífero Guarani, que guarda a maior reserva subterrânea de água doce do mundo.

Capitanich não deu nome aos especuladores, mas ontem a presidente Cristina Kirchner apontou em sua conta no Twitter os bancos, "com a cumplicidade de grupos econômicos", exportadores e importadores.

"Os países emergentes sofrem ataques especulativos e jogam a culpa no governo que está no poder. O que quero transmitir é que o modus operandi se dá em toda sua dimensão, impulsionado por grupos econômicos e, muitas vezes, midiáticos. Temos que defender o nosso", afirmou.

"Não sejamos ingênuos. Os argentinos já viram estes filmes reiteradamente através da história. Quem melhor pode defender sua integridade moral, seu bolso, seu presente e seu futuro é um governo que defende os interesses de seu povo", destacou o ministro.

O ministro informou que esse assunto foi tratado entre Cristina Kirchner e a presidente Dilma Rousseff, em Havana, e que a situação de especulação vista na Argentina se repete em países como Turquia, Índia, África do Sul, além do Brasil.

Na semana passada, o peso sofreu uma desvalorização 17,17% em relação ao dólar, passando de 6,840 a 8,015 pesos por unidade. Somente entre os dias 22 e 24, a desvalorização do peso foi da ordem de 12,49%. Os preços da economia real imediatamente começaram a ser corrigidos de 10% a 15%, disparando os temores de uma espiral inflacionária.

A rápida desvalorização do peso surpreendeu os investidores e analistas, que projetavam um peso a 8,50 pesos para o mês de fevereiro ou março. Até então, a moeda mantinha o ritmo de microdesvalorizações diárias, em torno a 0,22%, em média.

Tudo o que sabemos sobre:
Argentinaataque especulativo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.