Argentina e Inglaterra elevam tom do diálogo sobre Malvinas

A Argentina e a Inglaterra elevaram o tom da discussão sobre a soberania das Ilhas Malvinas. O chanceler argentino, Jorge Taiana, ratificou a política de "firmeza" do governo de Néstor Kirchner em relação à Inglaterra e criticou o primeiro ministro Tony Blair. Faltando cinco dias para o aniversário de 25 anos da Guerra das Malvinas, a disputa entre os dois países pela soberania do arquipélago provocou um curto-circuito no tom diplomático exibido nos últimos anos.Taiana acusou o Reino Unido de "não contribuir para o clima de diálogo" e questionou as declarações recentes de Blair, nas quais apoiou a decisão de Margaret Thatcher de recuperar as ilhas pela força militar dizendo que ele teria feito o mesmo. Em tom irônico o chanceler disse que recebia as declarações "como uma mostra do espírito militarista britânico, que tem uma base com milhares de soldados em território argentino. Se Blair quer fazer o mesmo que Thatcher, nós sem dúvida nunca faríamos o mesmo que (Leopoldo) Galtieri", numa referência ao ex-presidente argentino que tomou a decisão de ir à guerra contra a Inglaterra.Também em uma entrevista publicada hoje pelo jornal local La Nación, Taiana afirmou que a estratégia argentina é "manter firme a reclamação, evitar que o Reino Unido tire vantagem dos acordos bilaterais sem benefício para a Argentina, e gerar a melhor disposição para o diálogo". Ele disse ainda que a Argentina vai "continuar com nossa reclamação em todos os foros internacionais", Taiana também referiu-se ao acordo para a exploração de hidrocarbonetos na zona do conflito, que o presidente Kirchner decidiu cancelar, nessa semana. "A única coisa que havia era um papel", disse Taiana completando que o acordo era uma "falsa cooperação que já não existe".Segundo o chanceler "os britânicos se incomodam quando lhes recordamos que não cumprem o compromisso de discutir a soberania das ilhas". A comunidade internacional, continuou "apóia o diálogo para resolver uma disputa que está pendente".O governo britânico considerou "lamentável" a decisão da Argentina de dar por terminado o acordo de cooperação e disse que a medida é "um retrocesso", o qual "não ajudará de nenhuma forma" a Argentina em seu objetivo de recuperar a soberania sobre o arquipélago.

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