Argentina e Irã lançam inquérito sobre atentado

Após 19 anos, países chegam a acordo para criar "Comissão da Verdade" sobre ataque de 1994 à sede da Associação Mutual Israelita Argentina, em Buenos Aires

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2013 | 02h04

A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem, em Santiago do Chile, que seu governo chegou a um consenso com o Irã para criar uma "Comissão da Verdade" composta por juristas para elaborar um relatório sobre os suspeitos de ordenar e executar o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, no bairro de Balvanera, em Buenos Aires.

O Irã aceitou o pedido argentino para interrogar os iranianos acusados de organizar o atentado. Em troca, a Argentina aceitou a imposição do governo de Mahmoud Ahmadinejad de fazer as audiências em Teerã.

O ataque terrorista matou 85 pessoas e feriu 300. Segundo a presidente, a assinatura de um Memorando de Entendimento é um evento "histórico".

O acordo, na sequência anunciado formalmente pela chancelaria argentina, foi fechado na Etiópia, onde estava ontem o chanceler argentino Héctor Timerman, que nos últimos meses manteve diversas reuniões secretas na Suíça com seu colega iraniano, Ali Akbar Salehi.

O pacto Kirchner-Ahmadinejad desatou uma onda de críticas por parte da comunidade judaica argentina, que meses atrás se posicionou contra as negociações com o Irã e a proposta argentina de realizar o julgamento em um terceiro país e não em Buenos Aires. Diversos líderes da comunidade judaica argentina consideram que o Irã só pretende adiar as investigações sobre o atentado.

"É um monumental passo para trás em tudo o que a Justiça argentina havia decidido", disse Luis Czyzewski, pai de Paula, uma das vítimas fatais do ataque. No entanto, o presidente da Associação de Parentes e das Vítimas do Atentado, Sergio Burstein, disse estar "emocionado", já que nunca havia imaginado que o Irã "aceitaria os interrogatórios".

Até o momento, nenhum responsável pelo atentado foi detido ou condenado. Nos últimos anos, o Irã, que nega envolvimento na ação, recusou-se a entregar os oito iranianos cuja extradição foi requerida pela Justiça argentina em 2006.

Entre os acusados, está o atual ministro da Defesa do Irã, Ahamad Vahidi, que em 1994 era o chefe da Força Quds da Guarda Revolucionária. Também integram a lista o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani e o ex-chanceler Ali Akbar Velayati.

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