Argentina estreita laços comerciais com Venezuela

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, chegou nesta terça-feira, 20, à Venezuela para uma visita de 24 horas durante a qual assinará vários acordos comerciais com seu colega venezuelano, Hugo Chávez, e visitará a região petrolífera da Faixa do Orinoco.Kirchner chegou pouco depois das 15h à base aérea Luis Apolinar Méndez, em Puerto Ordáz, cerca de 700 quilômetros de Caracas, onde foi recebido pelo vice-presidente do país, Jorge Rodríguez, em sua quarta visita à Venezuela.O chefe do Estado argentino, cuja chegada estava prevista, segundo o programa oficial, no aeroporto Manuel Piar, de Puerto Ordáz, recebeu honras militares na base aérea, em cerimônia onde tocaram os hinos das duas nações, mas sem discurso ou declarações.Durante sua estadia na Venezuela, Kirchner presenciará a assinatura de vários acordos comerciais entre os dois países e inaugurará um dos poços de petróleo operados pela estatal argentina Enarsa com a venezuelana PDVSA, na Faixa do Orinoco.Segundo fontes argentinas, os dois líderes conversarão também sobre a segunda emissão conjunta de títulos de dívida "Bônus do Sul", da qual já lançaram US$ 1 bilhão em novembro.Acordos comerciaisUm dos acordos que as duas nações assinarão nesta visita permitirá à Venezuela conceder financiamento à empresa de laticínios argentina Sancor em troca de uma participação venezuelana na companhia, que tem uma dívida de US$ 167 milhões que foi refinanciada em oito anos.A empresa argentina, formada por 70 cooperativas das províncias de Santa Fé e Córdoba - que representam cerca de 2 mil produtores -, processa cerca de 1,3 bilhão de litros de leite por ano em seus 17 complexos industriais.Em dezembro, a Argentina e a Venezuela assinaram, em Caracas, um "acordo marco", pelo qual a Sancor receberia uma primeira ajuda em forma de crédito de US$ 80 milhões.Nesta visita de Kirchner, também está prevista a assinatura de um convênio para que a Venezuela importe da Argentina 5 mil toneladas de carne bovina e outras 5 mil de frango, além de cerca de 40 ônibus, que chegarão ao país andino no final deste ano.Em outras ocasiões, serão firmados pactos para a construção de casas populares na Venezuela, assim como para a exportação de máquinas agrícolas por parte da Argentina.A agenda de acordos prevista em Puerto Ordáz foi definida na semana passada em Caracas, durante a visita do ministro de Planejamento argentino, Julio De Vido, que se reuniu com o presidente venezuelano e altos funcionários desse país.GasodutoSegundo fontes da Venezuela, Chávez e Kirchner poderiam conversar também sobre o futuro Gasoduto do Sul, uma iniciativa do presidente venezuelano para transportar gás do país até a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, através do Brasil.Em janeiro, durante a cúpula do Mercosul no Rio de Janeiro, Chávez e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaram uma declaração sobre a primeira etapa do planejado gasoduto entre Güira (Venezuela) e Recife.A declaração foi o primeiro documento concreto sobre a viabilidade, pelo menos de uma etapa, do previsto encanamento de 10 mil quilômetros que poderá transportar cerca de 150 milhões de metros cúbicos de gás venezuelano por dia desde o mar do Caribe.Há pouco mais de um mês, Chávez se reuniu com seu colega argentino na cúpula do Mercosul e disse então que a Venezuela "continuará comprando bônus da Argentina".Segundo afirmaram fontes do governo na ocasião, ambos os países farão, este ano, uma emissão conjunta de títulos de dívida por US$ 1 bilhão através de um mecanismo similar ao utilizado com o chamado "Bônus do Sul".A última visita de Kirchner à Venezuela ocorreu em julho de 2006, quando o argentino foi a Caracas para participar da assinatura do protocolo de adesão venezuelana ao Mercosul e continuou em visita oficial por outros dois dias.

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