Argentina faz 200 anos sem comemorações

Há cem anos, país era o mais rico da região, mas série de golpes de Estado marcaram decadência

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2010 | 00h00

Em 1910, quando a Argentina celebrou o centenário da Revolução de Maio - início de seu processo de independência - o país representava metade de todo o PIB latino-americano e Buenos Aires era a "Paris da América do Sul". O bicentenário, que começa a ser celebrado hoje, é uma história bem diferente.

Atualmente, a Argentina representa 10% do PIB da região e perdeu para o Brasil o posto de líder regional. Além disso, o país tem hoje a 50.ª renda per capita mundial e os sociólogos afirmam que os argentinos se aproximam, cada vez mais, do padrão latino-americano de profundas divisões sociais.

A analista de opinião pública Graciela Römer disse ao Estado que dois entre três argentinos acreditam que a geração de seus avós vivia melhor do que a deles. "Sobre o futuro, somente um de cada três cidadãos acha que seus filhos viverão melhor. O otimismo de cem anos atrás não existe mais", disse Graziela.

Em 1916, o país teve as primeiras eleições com voto secreto e universal. No entanto, em 1930, iniciou uma série de golpes de Estado, complementados por crises financeiras sem paralelo na região e trocas abruptas de políticas econômicas. De lá para cá, somente três presidentes eleitos nas urnas puderam completar seus mandatos.

Para a socióloga Beatriz Sarlo, a Argentina, nos últimos cem anos, sofreu a marca maldita dos golpes de Estado, que começaram em 1930 e foram até 1976. "Metade do século 20 vivemos em constante instabilidade política", afirmou.

DIFERENTES FASES

1810 - "Revolução de Maio" anunciava a independência argentina

1910 - Na celebração do primeiro centenário da independência, a Argentina respondia sozinha por metade do PIB latino-americano e Buenos Aires era considerada a "Paris da América Latina"

2010 - Sequência de golpes de Estado e graves crises econômicas fizeram o país entrar em decadência. Argentina tem a 50ª renda per capita mundial e a maioria da população diz que seus avós vivam melhor do que hoje

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