REUTERS/Carlos Barria
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Argentina gastará US$ 800 mil do ‘caso da maleta’

Valor apreendido em aeroporto em 2007 irá para obras; FBI diz que era envio de Chávez para campanha de Cristina

Rodrigo Cavalheiro  CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2016 | 20h46

Os US$ 800 mil apreendidos em uma maleta com o empresário Antonini Wilson ao aterrissar em Buenos Aires em 2007 finalmente terão uma finalidade. A Justiça argentina determinou nesta sexta-feira, 23, que a quantia seja gasta em obras de interesse público. O homem preso com o dinheiro há nove anos, que tem nacionalidades venezuelana e americana, disse que era uma ajuda de Hugo Chávez à campanha de Cristina Kirchner, mas há outras hipóteses. 

O caso acirrou o confronto de Argentina e Venezuela com os EUA. Segundo o FBI, quando Wilson voltou à Flórida, onde vive, foi alvo de ameaças e de uma tentativa de suborno com US$ 2 milhões para que não revelasse a origem e o destino da maleta. A polícia americana deteve por espionagem quatro venezuelanos que acusou de pressionar Wilson. Chávez e Cristina reagiram denunciando conspiração. 

Não foi o primeiro caso em que a proximidade ideológica dos governos dos dois países foi associada a negócios escusos. O diplomata argentino Eduardo Sadous, embaixador em Caracas entre 2003 e 2005, denunciou esquema de corrupção pelo qual empresários argentinos interessados em investir na Venezuela deveriam pagar propina. A intermediação era do Ministério do Planejamento argentino.

“Acho provável que o dinheiro da maleta estivesse ligado a essa propina cobrada pelo kirchnerismo. A campanha não precisava de recursos dessa forma, pois estava no poder. Mas é mais fácil de justificar dizendo que era financiamento eleitoral”, diz Sadous.

Uma terceira hipótese para a origem da quantia foi dada pelo traficante argentino Ibar Pérez Corradi, detido em Foz do Iguaçu em junho. Ele disse ter participado de lavagem de dinheiro para financiar a primeira eleição de Cristina. Isso ocorreria por meio da doação de cheques sem fundos por farmácias envolvidas com drogas sintéticas. Ele citou como exemplo os US$ 800 mil de Wilson.

A Justiça autorizou o uso da quantia, sugerindo educação e saúde, pois ninguém se apresentou como dono. 

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