Argentina identifica dois espanhóis mortos durante a ditadura militar

Argentina identifica dois espanhóis mortos durante a ditadura militar

Anúncio foi feito em data que lembra as vítimas dos anos de chumbo nascidas na Espanha

ARIEL PALACIOS - CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES,

01 de outubro de 2013 | 10h29

Uma ONG argentina identificou os restos mortais de dois cidadãos espanhóis assassinados pelas forças de segurança da ditadura militar argentina (1976-1983). O anúncio oficial da descoberta e reconhecimento dos corpos foi feito na segunda-feira. O dia 30 de setembro é reservado à lembrança dos desaparecidos espanhóis na Argentina.

Os corpos foram identificados graças a amostras genéticas de seus parentes analisadas pela Equipe Argentina de Antropologia de Medicina Legal. Uma das duas vítimas é Antonia Margarita Fernández García, nascida em Oviedo, Astúrias, em 1944. A outra é Manuel Ramón Souto Leston, nascido em La Coruña, Galícia, em 1949.

Antonia Margarita foi sequestrada pelos militares quando estava em sua casa na cidade de Mar del Plata, em maio de 1978. Os integrantes do grupo de sequestradores também levaram suas duas filhas, de 3 e 7 anos, que posteriormente foram entregues a seus avós. Souto Leston foi sequestrado em junho de 1976 quando visitava os moradores de uma casa no distrito de Villa Fiorito, no município de Lanús.

A Embaixada da Espanha em Buenos Aires tem documentos sobre 30 espanhóis nativos que desapareceram durante a ditadura argentina. No entanto, as estimativas dos organismos de defesa dos direitos humanos – além dos dados nos tribunais – indicam que uma centena de cidadãos espanhóis teria sido sequestrada e torturada nos sete anos do regime militar argentino.

Primeiro. O primeiro espanhol desaparecido na ditadura a ser identificado foi Manuel Coley Robles, cujo corpo, com marcas de balas, foi desenterrado em 2006 no cemitério de Isidro Casanova, município da Grande Buenos Aires. Após diversos exames de DNA, a Equipe de Antropologia conseguiu confirmar sua identidade em 2009.

O sindicalista Coley Robles, nascido em Barceló, na Catalunha, em 1939, foi sequestrado por integrantes do Exército à paisana que invadiram sua pequena casa na hora do jantar em 27 de outubro de 1976. Sua mulher, Alcira del Valle, foi à delegacia número 3 de Quilmes fazer a denúncia do desaparecimento de seu marido. Ali, os policiais lhe responderam com ironia: "Quem sabe não fugiu com outra mulher?"

A ditadura argentina foi responsável pelo assassinato de 30 mil civis, segundo estimativas dos organismos de defesa dos direitos humanos. A Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas cataloga quase 10 mil mortos pelo regime em centros de detenção clandestinos.

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