Sergey Kiselev/Moscow News Agency via AP
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Argentina inicia vacinação contra covid-19 nesta terça-feira

As primeiras 300 mil doses da Sputnik V chegaram ao país de avião; Fundo de Investimento Direto Russo planeja enviar mais 10 milhões de doses em 2021 

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 17h56
Atualizado 28 de dezembro de 2020 | 18h27

BUENOS AIRES - Após receber as primeiras 300 mil doses da vacina russa Sputnik V, a Argentina iniciou nesta segunda-feira, 28, a distribuição do imunizante pelo país, de modo que o plano de vacinação contra a covid-19, considerado histórico pelo governo, comece a ser aplicado na terça-feira em cada um dos centros de saúde das províncias. As 300 mil doses chegaram ao país de avião. O Fundo de Investimento Direto Russo planeja enviar mais 10 milhões de doses em 2021. 

"Nosso país recebeu as primeiras 300 mil doses da vacina contra a covid-19 para iniciar este grande desafio que é a campanha de vacinação mais importante da história da Argentina", disse a secretária de Acesso à Saúde, Carla Vizzotti, ao apresentar o relatório diário de casos.

Vizzotti fez parte da delegação do governo que viajou à Rússia em dezembro para receber informações técnicas sobre a vacina e visitar as fábricas de produção antes da autorização na Argentina. Ela voltou ao país natal no mesmo avião que transportou as primeiras doses. "Essas são as primeiras 300 mil doses das cerca de 55 a 60 milhões de doses que a Argentina garantiu para receber entre dezembro e julho", explicou Vizzotti.

A segunda dose do imunizante será enviada nas próximas três semanas, anunciou hoje o diretor do Gamaleya Center, criador da Sputnik V, Alexandr Gintsburg. Ele afirmou que os fabricantes conseguiram eliminar um desequilíbrio na produção do primeiro e do segundo componentes, que são inoculados com um hiato de 21 dias. 

Gintsburg afirmou que os fabricantes vão dobrar o número de reatores, depois do qual "não haverá mais desequilíbrio", e reconheceu que o primeiro componente, sendo um adenavírus, "cresce 2,5 vezes melhor".

A vacinação começará às 9h (horário local), segundo informou o presidência argentino, Alberto Fernández, no fim de semana. A campanha foi articulada com as 24 jurisdições para que sejam distribuídas 146.250 doses em 32 pontos do país.

Nesta primeira fase, a vacinação será destinada aos trabalhadores da saúde nos grandes centros urbanos, onde a pandemia teve um impacto maior e onde o risco de uma segunda onda de infecções é mais elevado. Também serão vacinados profissionais da saúde em unidades de terapia intensiva (UTI) e funcionários de laboratórios de diagnósticos.

O coordenador do setor de logística da Secretaria de Acesso à Saúde, Juan Pablo Saulle, afirmou que "todo o calendário foi elaborado para fazer a entrega federal a cada ponto em cada província, para chegar na segunda-feira de manhã a todo o país na mesma hora, com um intervalo de três a quatro horas".

O plano de vacinação estima um total de 54.431.000 doses, considerando um esquema de duas doses e calculando uma taxa de perdas estimada em 15%, que atingiria entre 23 e 24 milhões de pessoas de uma população de 45 milhões.

O contrato de aquisição da Sputnik V é o terceiro assinado pela Argentina: o primeiro foi com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford - vacina que será aplicada a partir de março -; e o segundo com a aliança internacional Covax, dependente das Nações Unidas, enquanto outros acordos ainda serão fechados.

"A ideia é que, quando chegar o outono, já tenhamos vacinado o maior número de pessoas em risco, esse é o meu objetivo", disse Fernández. /AFP e EFE

 

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