EFE/MARÍA ARCE
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Argentina já não vê saída externa para crise venezuelana

Chanceler indica que sanções internacionais não solucionarão problema

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2016 | 05h00

O país que nos últimos meses mais pressionou por uma punição internacional a Caracas por infringir princípios democráticos já não enxerga em sanções internacionais a solução para a crise venezuelana. 

A chanceler argentina, Susana Malcorra, que vinha falando genericamente em “necessidade diálogo”, foi enfática nesta quarta-feira quando questionada sobre uma possível punição pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para desfazer crise.

“Não há forma de resolver a situação de um país importando a solução de fora. As respostas surgem de dentro e os venezuelanos têm de encontrar esses mecanismos. Há alguns sinais de que alguma coisa neste sentido possa ocorrer”, disse Malcorra ao sair de uma entrevista coletiva na sede da chancelaria. Ela fez um balanço da política externa do governo de Mauricio Macri, que teve como um eixo as ameaças diplomáticas a Nicolás Maduro.

Malcorra foi questionada justamente sobre as razões para a guinada em relação ao discurso duro que o presidente argentino adotou ainda na campanha eleitoral. Macri propôs suspender a Venezuela do Mercosul caso Maduro não soltasse presos políticos como Leopoldo López, condenado pelo chavismo por incitação à violência.

A chanceler argumentou que a punição sugerida pelo presidente argentino a Caracas era para o caso de Maduro desrespeitar o resultado da eleição parlamentar de 6 de dezembro, na qual a oposição conquistou a maioria absoluta. A equipe de política externa de Macri admitia que a ameaça dificilmente seria concretizada, já que Brasil e Uruguai eram contra uma punição. A cláusula democrática do Mercosul foi usada para afastar o Paraguai após o impeachment de Fernando Lugo, em 2012.

Sobre a proposta de Luis Almagro, secretário-geral da OEA, de usar uma sanção, Malcorra disse que precisaria de tempo para ler o relatório de 150 páginas. Ela admitiu a possibilidade de apoiar a aplicação da cláusula, mas insistiu em minimizar seu efeito.

“Há uma ‘inflação’ no uso da carta democrática. Sua aplicação pode ser parte de um mecanismo da OEA, mas não necessariamente resolverá o problema dos venezuelanos”, afirmou. Ela citou a crise argentina de 2001 para argumentar que seu país passou por situações similares “não muito tempo atrás” e defendeu a união de todas as instituições do país, sob pena de toda a região ser afetada.

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