Argentina julga ditador por queima de livros

Jorge Videla, de 85 anos, voltará aos tribunais em razão da incineração e do extravio de cerca de 80 mil obras de uma biblioteca de Rosario

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2013 | 02h04

O general argentino Jorge Rafael Videla, condenado em 2010 à prisão perpétua por torturas, sequestros e assassinatos ocorridos durante a ditadura militar do país, será julgado no início deste ano por "genocídio cultural", novo indiciamento que fará sua estreia na Justiça argentina. O ex-ditador, de 85 anos, é acusado de ser o responsável pelo saque e queima dos 80 mil livros de uma biblioteca na cidade de Rosario, em 1977.

Muitos dos livros da Biblioteca Constancio Vigil foram queimados por serem considerados subversivos pelos militares. Outra parte foi roubada e revendida. Hoje, o valor das obras incineradas ou extraviadas é estimado em US$ 40 milhões. O caso também está ligado à área de delitos econômicos da ditadura. "O ataque foi pensado e planejado para destruir a obra educativa e cultural - e, por trás disso, estava também a intenção de (realizar) negociatas", afirmou o promotor Gonzalo Stara.

O julgamento está previsto para começar no primeiro semestre, mas não tem data definida, segundo informaram ontem ao Estado fontes da Assembleia Permanente de Direitos Humanos de Rosario. A ditadura militar argentina foi responsável por várias incinerações de livros em diversas cidades. O general Luciano Benjamin Menéndez era um dos principais protagonistas das ações, para as quais organizava solenidades que lembravam as queimas de livros feitas pela Inquisição e pelo nazismo.

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