Argentina libertará 11 acusados de tortura

A Justiça argentina ordenou ontem a libertação de 11 acusados de tortura durante a ditadura militar (1976-1983). Entre os detidos estão o ex-capitão Alfredo Astiz, conhecido como "o anjo loiro da morte" e Jorge Tigre Acosta, famosos pelos requintes de crueldade contra civis que eram presos e torturados na Escola de Mecânica da Armada (Esma).A Justiça considerou que os 11 acusados excederam o tempo de prisão preventiva permitido - 2 anos, prorrogável por mais 1 ano - sem receber nenhuma sentença definitiva dos tribunais. A presidente Cristina Kirchner qualificou a decisão como "uma vergonha para a Argentina e a humanidade".Astiz, acusado do assassinato de duas freiras francesas, uma estudante sueca, e dezenas de argentinos, está em prisão preventiva desde 2001. Acosta, criador dos "vôos da morte" e acusado do seqüestro de bebês, torturas e assassinatos, está detido desde 1998. Eles eram considerados as "estrelas" da Esma, o maior campo de concentração argentino, onde 5 mil pessoas foram torturadas e mortas.Analistas admitem que a aplicação da lei é correta, mas dizem que a lerdeza da Justiça levou os acusados a recuperar a liberdade. Para sair da prisão, eles deverão pagar uma fiança cujo valor ainda não foi determinado, apresentar avalistas e a garantia de que não fugirão. Astiz já foi condenado à prisão perpétua à revelia na França e é processado por violações aos direitos humanos em tribunais na Itália, Alemanha e Suécia.

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