Argentina não apoiaria Brasil para o Conselho de Segurança

Num recuo em relação ao que defendia antes de assumir o cargo, o novo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, demonstrou nesta quinta-feira que o governo de seu país não apóia o pleito brasileiro de ocupar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).Em seu quarto dia como chanceler, ele teve encontro em Brasília com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ambos renovaram a disposição de fortalecer o Mercosul. Questionado sobre a pretensão brasileira na ONU, Bielsa disse que a Argentina e o Brasil concordam com a necessidade de remodelar o Conselho de Segurança ? órgão que ficou extremamente fragilizado, neste ano, após ter sido atropelado pela decisão dos Estados Unidos de atacar o Iraque.Mas, segundo o chanceler argentino, a semelhança de pontos de vista termina aí. ?Ambos os países coincidimos em que há que redesenhar (o Conselho de Segurança). Como redesenhá-lo será a fase seguinte de um processo, não a fase imediata?, disse Bielsa.A declaração destoa do que o chanceler dissera na semana passada, antes da posse do presidente Néstor Kirchner ? quando defendeu o apoio ao pleito brasileiro. Nesta quinta, ele afirmou que, em vez da indicação do Brasil para uma vaga permanente no Conselho, podem existir ?fórmulas que sejam favoráveis para ambos os países?.?Não está dito que a única fórmula possível seja a expressão de que Brasil tenha assento. Há outras fórmulas, por exemplo, o assento regional, comunitário.?Celso Amorim reafirmou a disposição do governo brasileiro de que o País ocupe uma vaga permanente e aproveitou para atacar a alternativa mencionada pelo colega ? de que países de uma mesma região assumam a vaga rotativamente. ?É mais fácil não ocorrer uma reforma do Conselho de Segurança do que ocorrer uma reforma em que, em vez de haver membros permanentes, se tenham membros permanentes rotativos?, disse Amorim.Os dois chanceleres enfatizaram que a atual composição do Conselho ? Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China ? reflete a situação mundial no pós-2ª Guerra. Daí o debate em torno da ampliação do órgão. Além do Brasil e da própria Argentina, países como Índia e Alemanha pleiteiam uma vaga.Tentando amenizar a divergência, Amorim disse que ainda era cedo para se questionar Bielsa sobre o tema, uma vez que há muitas ?complexidades? do ponto de vista prático. ?O Brasil não aspira ser membro permanente para ir lá defender interesses nacionais. Até porque não temos interesses nacionais estratégicos que nos separem dos outros países da região?, disse ele.Os dois ministros enfatizaram as afinidades entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Kirchner. ?Estamos numa situação em que nos entendemos até pelo olhar?, exagerou o brasileiro. Bielsa retribuiu dizendo que, se Brasil e Argentina formassem um só bloco, a eleição de Kirchner representaria a vitória de um mesmo partido.

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