Argentina obtém assento temporário no Conselho de Segurança da ONU

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas elegeu Argentina, Austrália, Ruanda, Luxemburgo e Coreia do Sul para integrar temporariamente o Conselho de Segurança durante o período 2013/2014.

Reuters

18 de outubro de 2012 | 21h57

Argentina e Ruanda não tiveram oposição às suas candidaturas para as vagas de América Latina, Caribe e África, mas precisaram da aprovação de dois terços da Assembleia-Geral composta de 193 países.

Argentina obteve 182 votos e Ruanda, 148.

O país africano conseguiu a vaga apesar das acusações de um painel de especialistas da ONU contra o ministro da Defesa ruandês por supostamente comandar uma rebelião na vizinha República Democrática do Congo.

A Austrália superou inicialmente Finlândia e Luxemburgo para ficar com o primeiro dos dois assentos disponíveis para o grupo "Europa Ocidental e Outros" com 140 votos. Em uma segunda rodada de votação, foram eleitos Coreia do Sul e Luxemburgo.

Após receber 149 votos na segunda rodada, a Coreia do Sul derrotou Camboja e Butão para conseguir os dois terços de votos da Assembleia-Geral necessários para ficar com a vaga reservada para Ásia-Pacífico.

Luxemburgo superou a Finlândia e obteve a segunda vaga reservada para "Europa Ocidental e Outros", após conseguir 131 votos.

QUESTIONAMENTOS

Um relatório confidencial da ONU, ao qual a Reuters teve acesso na terça-feira, projetou dúvidas sobre a eleição de Ruanda ao poderoso Conselho de Segurança, que pode impor sanções e autorizar intervenções militares.

O Conselho tem 15 membros, dos quais cinco (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) são permanentes e têm poder de veto. Os 10 restantes são temporários e não têm direito a veto.

A votação desta quinta-feira foi para o período de 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2014.

Antes da votação, a delegação congolesa disse à Assembleia-Geral que era contra a incorporação de Ruanda ao Conselho, depois de acusar o país vizinho de abrigar "criminosos de guerra que operam no leste da República Democrática do Congo e que são procurados pela Justiça internacional."

O "Grupo de Especialistas" do Conselho de Segurança afirmou que Ruanda e Uganda --apesar de negarem-- continuam apoiando os rebeldes do M23 na luta contra tropas do governo congolês no leste do país.

O diplomata ruandês na ONU, Olivier Nduhungirehe, disse na quarta-feira que seu país não estava preocupado com o impacto do relatório sobre sua tentativa de entrar no Conselho de Segurança.

"Os membros da Assembleia-Geral sabem exatamente quais são nossos antecedentes e não podem ser influenciados por um relatório sem fundamentos nem credibilidade", afirmou.

Cinco países --África do Sul, Colômbia, Alemanha, Índia e Portugal-- deixam o Conselho em dezembro. Azerbaidjão, Guatemala, Paquistão, Togo e Marrocos seguem na entidade até o fim de 2013.

(Reportagem de Michelle Nichols e Louis Charbonneau)

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