Victor R. Caivano/AP
Victor R. Caivano/AP

Argentina pede prisão de ex-chanceler iraniano por atentado contra Amia

Ataque com um carro bomba deixou 85 mortos em julho de 94

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE

20 de julho de 2016 | 15h01

BUENOS AIRES  -  A Justiça argentina solicitou a Singapura e Malásia a prisão e extradição do ex-chanceler iraniano Ali Akbar Veleyati, um dos que, segundo a investigação local, planejaram o atentado à Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994. O ataque com um carro bomba deixou 85 mortos.

O pedido de extradição de Veleyati foi feito nesta quarta-feira, 20, pelo juiz Rodolfo Canicoba Corral, depois de confirmada a informação de que o iraniano faria palestras nos dois países asiáticos. O trâmite foi levado adiante pela chancelaria argentina, procedimento usual no caso de países que não têm acordo de extradição. A probabilidade do pedido ser atendido é considerada baixa, mas marca uma diferença de estratégia em relação ao governo anterior, que procurou uma negociação com Teerã. 

Veleyati é um dos altos funcionários iranianos contra os quais a Interpol tem alertas vermelhos emitidos a pedido do promotor Alberto Nisman, encontrado morto em janeiro de 2015 com um tiro na cabeça em Buenos Aires, em caso não esclarecido. Ele investigava o atentado. O corpo de Nisman foi encontrado quatro dias depois de o promotor denunciar a ex-presidente Cristina Kirchner e parte da cúpula de seu governo de proteger os iranianos considerados culpados pela Justiça argentina. Ela promoveu um pacto pelo qual Teerã permitiria que seus cidadãos fossem ouvidos em seu país, em uma espécie de Comissão da Verdade. 

Nisman alegava ter provas de que o acordo foi fechado em função de benefícios comerciais para a Argentina, basicamente a troca de grãos por petróleo. Sua denúncia foi arquivada.

Em entrevista ao canal argentino C5N em Teerã, Velayati disse no ano passado não haver razão para um funcionário iraniano prestar esclarecimentos a outra nação. "Toda a investigação está baseada em invenções e mentiras sem nenhuma prova contra o Irã", alegou.

A Justiça argentina está convencida de que a alta cúpula do governo iraniano em 1994 planejou o atentado, mas não conseguiu apontar os argentinos que teriam dado suporte à ação, que ainda deixou 300 feridos. Ninguém foi preso.

O pedido argentino foi feito dois dias depois do ato em homenagem às vítimas no aniversário de 22 anos do atentado, ao qual o presidente Mauricio Macri compareceu. Em 2011, Cristina havia ido à cerimônia pela última vez. O pacto com o governo iraniano a afastou das associações judaicas. Uma das primeiras medidas de Macri ao assumir foi desistir de defender a constitucionalidade do acordo com Teerã, o que foi elogiado pela comunidade judaica. 

 

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