Argentina plano de Blair de ato conjunto pelas Malvinas

O chanceler argentino, Jorge Taiana, acusou o governo do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de "soberba" por oferecer a realização de um ato conjunto em memória dos soldados mortos em ambos lados durante a Guerra das Malvinas, ocorrida em 1982. "O que eles pensam fazer não é, como ele (Blair) diz, uma celebração. Ao contrário. É um militarista desfile da vitória, um típico gesto de soberba. E nós não vamos nos vangloriar da guerra", declarou Taiana ao jornal portenho Página 12. Taiana negou que o governo do presidente Néstor Kirchner tenha recebido um convite formal para realizar o ato em homenagem aos soldados. No fim de semana a chanceler britânica, Margaret Becker, também havia lamentado a morte dos soldados argentinos e britânicos no conflito no Atlântico Sul ocorrido há 25 anos, indicando que elas são "una fonte de tristeza permanente". Taiana também criticou Blair por suas recentes declarações nas quais indicava que teria tomado a mesma medida adotada em 1982 pela então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, de enviar uma frota para expulsar as tropas argentinas que ocupavam as ilhas Malvinas. Segundo o chanceler argentino, enquanto a Argentina pede retomar o diálogo sobre a soberania das ilhas, a Grã-Bretanha nega-se "repetidamente", embora exista uma resolução da ONU para que ambos países discutam o assunto. O chanceler também reclamou que Londres não permite vôos diretos entre a Argentina e as ilhas (as conexões aéreas com as Malvinas são realizadas desde território chileno). ´Usurpação´ Taiana recorda que "já passou um quarto de século desde a guerra" e faz uma comparação com o pós-guerra na Europa: "imagine se os vôos entre Paris e Berlim houvessem estado proibidos entre 1945 e 1970". O ministro, que denomina a presença britânica nas Malvinas há 174 anos de "usurpação", afirmou que possui a convicção "de que a razão está de nosso lado". Cerimônias A Argentina teve a posse prática das ilhas apenas durante 13 anos (do quais apenas durante sete anos houve habitantes argentinos nos arquipélago). Em 1833 os argentinos foram expulsos por um navio de guerra britânico. Desde então, as ilhas estiveram sob administração britânica, com a única e breve interrupção da "ocupação" (termo usado pelos britânicos) ou "reconquista" (palavra preferida pelos argentinos) argentina das Malvinas entre o 2 de abril e o 14 de junho de 1982. Desde a volta da democracia em 1983 os governos civis argentinos insistiram na reivindicação das ilhas por meios diplomáticos. Mas, os resultados foram nulos. O presidente Kirchner é o primeiro a desferir uma ofensiva diplomática mais intensa. Na segunda-feira, Kirchner presidirá as cerimônias para homenagear os mortos e os veteranos de guerra na cidade de Ushuaia, capital da província de Tierra del Fuego, segundo confirmou neste domingo a Ministra da Defesa, Nilda Garré. A cerimônia tem um caráter de forte simbolismo, já que essa província engloba formalmente as ilhas Malvinas nos mapas argentinos. Uma centena de ex-combatentes aguarda a presença de Kirchner. Nas principais cidades do país as forças armadas realizarão missas e cerimônias de homenagem aos soldados mortos. Moedas O governo Kirchner lançou uma emissão especial de moedas para celebrar os 25 anos da invasão argentina às Malvinas. O lançamento coincide com uma ofensiva diplomática do governo argentino na ONU, na Organização dos Estados Americanos (OEA) e Mercosul para pressionar a Grã-Bretanha para que aceite retomar o diálogo sobre a soberania do gélido arquipélago. A emissão realizada pelo Banco Central consistirá em 2 milhões de moedas de 2,00 pesos feitas de uma mistura de cobre e níquel. A missão da emissão, segundo o BC é "homenagear todos os combatentes que naquela oportunidade arriscaram e deram sua vida para defender a soberania nacional sobre o arquipélago austral". Em uma segunda etapa o Banco Central emitirá moedas em ouro e prata. Um lado da moeda mostra um ex-combatente das Malvinas com a bandeira argentina ao fundo, junto com as legendas "1982 - República Argentina - 2007" e "Da nação para seus heróis". O reverso mostra o mapa das ilhas, ao redor do qual está a legenda "Malvinas argentina" e "2 de abril de 1982", o dia da invasão.

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