Argentina pode reduzir incentivos a desempregados

A equipe do ministro da Economia da Argentina, Ricardo López Murphy, está preparando os últimos detalhes do pacote de medidas econômicas, que seria anunciado a princípio na quinta-feira.O pacote, cuja tônica é a do ajuste econômico, incluiria o estabelecimento de um teto para as aposentadorias e restrições nos salários-família e uma drástica redução da ajuda governamental para planos temporários de trabalho.O estabelecimento de um teto às aposentadorias impediria que superassem US$ 3,1 mil mensais. Este teto, que existe desde 1995 mas somente para aposentadorias futuras, seria aplicado para aposentadorias pagas atualmente.Além disso, serão eliminadas 25 mil aposentadorias que foram transferidas de forma irregular pelos governos provinciais para a União nos últimos anos. Acoplada a este plano está planejada uma intervenção na ANSES, o órgão encarregado do sistema estatal de aposentadorias.Outra medida em preparação é a restrição da aplicação do salário-família, já que o governo considera que existem inúmeras irregularidades em seu fornecimento. Um dos exemplos é o de empresas que declaram que seus operários possuem mais filhos que os verdadeiros, e embolsam ilegalmente os salários-família excedentes.No momento, o Estado argentino gasta no total US$ 2 bilhões com salários-família. Com diversas restrições em sua aplicação, o governo calcula que poderia poupar US$ 450 milhões.Além disso, o pacote elaborado pelos "Murphy Boys", como são denominados os ultraortodoxos integrantes da equipe do ministro da Economia, incluiria a restrição dos planos temporários de trabalho, que seriam concedidos somente para os pais de família. Estes planos foram utilizados amplamente nos últimos três anos no empobrecido interior do país para evitar conflitos sociais, e consistem principalmente na manutenção de estradas, canais e limpeza de ruas. Com a exclusão dos homens solteiros e dos casados sem filhos, que ficariam sem emprego, a equipe de López Murphy pretende economizar US$ 400 milhões. Para serem beneficiados pelo plano de assistência, os pais de família precisariam estar em situação de indigência.Segundo a Consultora Equis mais de 3,7 milhões de pessoas vivem na indigência na Argentina, o equivalente a 10,2% da população, o que indica um nível recorde. Estes argentinos possuem receitas que não superam US$ 53 mensais. Em algumas províncias do país o número de indigentes supera 20% dos habitantes. Este setor é o que costuma ser eventualmente auxiliado pelos planos de trabalho. Com sua eliminação, poderiam retornar ao país os conflitos sociais.

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