Argentina prepara estreia de filme sobre Kirchner

Documentário sobre ex-presidente estará em 4 vezes mais cinemas do que obra escolhida para representar país no Oscar

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

12 de novembro de 2012 | 20h17

BUENOS AIRES - "Uma vida poética e cheia de mística". Com essas palavras a cineasta Paula de Luque define o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), cuja vida e obra política retratou no longa-metragem documentário póstumo Néstor Kirchner, cuja pré-estreia está marcada para o sábado. O filme será lançado dia 22 em 120 cinemas em todo o país, volume superior à estreia de filmes prestigiados, como o Infância Clandestina, escolhido pelos argentinos para representar o país no Oscar, que debutou em apenas 35 cinemas.

"Sou kirchnerista, sim, e o digo com muita honra! Mas esse filme não é somente para kirchneristas. Todos podem aproveitar o filme, estando de acordo ou não", afirmou Paula nesta segunda-feira, 12, em uma coletiva para os correspondentes estrangeiros.

A diretora admitiu que o filme "é polêmico mesmo antes de estrear e de ser visto". Segundo ela, a obra cinematográfica é sua "verdade relativa" sobre Kirchner. O filme evita os diversos casos de corrupção nos quais o ex-presidente falecido em 2010 esteve envolvido. A diretora sustentou que o filme "não acusa ninguém".

A diretora afirmou que é "kirchnerista desde quase o começo do governo" de Néstor Kirchner em 2003. "É um homem que mudou o país!", disse, emocionada.

A cineasta era conhecida pelos filmes O Vestido,de 2008, e Juan e Eva, de 2011, no qual recria o encontro entre Juan Domingo Perón e Evita Perón em 1945. Ela não foi a primeira diretora do filme, já que a obra foi feita originalmente pelo uruguaio Adrián Caetano. No início deste ano, Caetano deixou subitamente o projeto, que passou às mãos de Patrícia, ex-esposa do atual secretário de cultura de Cristina, Jorge Coscia.

Paula e seus produtores evitaram respostas sobre os motivos pelos quais Caetano saiu. "Não falo sobre o trabalho de outro colega", disse a diretora. Informações extraoficiais sustentam que a Casa Rosada considerou que a edição feita pelo uruguaio não era "suficientemente kirchnerista". De quebra, não agradou a proposta de nome feita por Caetano: O Pinguim Louco, em alusão ao apelido de Kirchner e seu jeito estabanado. Patrícia desmentiu, mas sem explicar detalhes. "Com Caetano não temos diferenças ideológicas, mas sim, de formas", afirmou.

Veja trailer:

Simbolismo peronista

O lugar e a data da pré-estreia está carregada de simbolismo, já que o dia 17 de novembro é o "Dia da Militância", que recorda volta ao país proveniente do exílio do fundador do peronismo, Juan Domingo Perón, em 1972. O lugar, o estádio coberto do Luna Park, no centro portenho, tem a mística de ter sido o âmbito onde Perón conheceu Evita em 1944. De quebra, ali Kirchner participou de seu último comício em Buenos Aires, dois dias depois de sua cirurgia na carótida e poucas semanas antes de morrer.

A nata do kirchnerismo - ministros, parlamentares e governadores, além de prefeitos, sindicalistas, líderes de organizações sociais e aliados do setor das organizações de defesa dos direitos humanos - estará presente no lançamento.

O financiamento do filme estava originalmente previsto com contribuições populares. Mas a obra, segundo os produtores indicaram aos correspondentes estrangeiros, foi realizada com fundos das loterias dos governos das Províncias de Buenos Aires e do Chaco (governadas por aliados de Cristina), por empreiteiras com antigos vínculos com o casal Kirchner, como a empresa "Electroingeniería", além de contribuições do Partido Justicialista (Peronista) das Províncias de Salta e Catamarca. Os produtores indicaram que o custo do filme foi baixo, cerca de US$ 1 milhão.

 
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