Argentina pretende dividir o Grupo Clarín e leiloar partes até o fim do ano

O governo argentino pretende dividir o Grupo Clarín, maior conglomerado de mídia do país, e leiloar cada uma das partes até o fim do ano, indicou ontem Martín Sabbatella, diretor da Administração Federal de Serviços Audiovisuais (AFSCA), responsável pela aplicação da Lei de Mídia, que restringe o tamanho das empresas de comunicação.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h03

Segundo Sabbatella, "é possível" que a adequação compulsória do Grupo Clarín à lei aprovada em 2009 comece em novembro. "Logo que resolvamos o cronograma, o colocaremos em andamento", disse Sabbatella. Ele também indicou que poderia leiloar a Cablevisión, empresa de TV a cabo do grupo.

Na quarta-feira, a AFSCA rejeitou o plano de adequação voluntária apresentado pelo conglomerado. Com a decisão, o governo fará a divisão do grupo por sua própria conta. Sabbatella chegou a dizer que o plano voluntário do Clarín era uma forma de "zombar" da lei e estaria "cheio de irregularidades".

A proposta do grupo repartia a holding em seis pequenas unidades diferentes e autossuficientes, reunindo rádios e canais de TV. Pela decisão do governo, cada estação e canal poderá ser vendida de forma compulsória separadamente. O Clarín afirma que vai recorrer à Justiça para impedir a decisão do governo, a qual definiu de "brutal" e "política".

Embates. "Mãe de todas as batalhas" foi a denominação que o governo utilizou nos últimos anos para se referir ao desmonte do Grupo Clarín, a principal bandeira política interna da presidente. Analistas consideram que ter o conglomerado como inimigo é conveniente para a Casa Rosada.

Analistas políticos acreditam que o confronto com o Clarín serviu para manter a união dos aliados kirchneristas, além de ser usada para desviar temporariamente a atenção da opinião pública de problemas como a escalada da inflação, o fechamento de empresas que faliram, as demissões em massa e o surgimentos de novos escândalos de corrupção.

"Acho que o governo tenta dilatar a adequação do Clarín para capitalizar a escalada do conflito", afirmou o especialista em sistemas de mídia Martín Becerra, que integrou as comissões acadêmicas que deram origem à Lei de Mídia.

Segundo ele, a decisão de Sabbatella "trata-se do relançamento da guerra governo-Clarín, para estimular o fogo do antagonismo" com a reativação da "batalha cultural da Casa Rosada e a posição do governo como vítima", caso o Clarín consiga um recurso na Justiça.

O especialista, professor da Universidade de Buenos Aires, considera que a adequação do Clarín à Lei de Mídia "não se resolverá durante o mandato de Cristina Kirchner".

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