Argentina quer Parlamento do Mercosul

O chanceler Carlos Ruckauf declarou que o governo argentino proporá ao Brasil que o Mercosul crie um Parlamento que funcione de forma similar ao da União Européia, embora com proporções menores. "É preciso um âmbito parlamentar, de câmara única, com um sistema de maiorias bem definido", explicou. Ruckauf disse que ainda não estava planejado como esse Parlamento poderia ser financiado, mas sustentou que "para que seja colocado em andamento, é preciso pelo menos um ano".Em declarações ao jornal "La Nación", Ruckauf também explicou que o governo Duhalde quer uma maior integração na área social com o Brasil. Uma das propostas é que os países do Mercosul possam comprar conjuntamente os remédios e alimentos utilizados nos programas sociais. Além disso, o governo argentino proporá intercambiar experiências e idéias para paliar as dificuldades dos desempregados.O chanceler também sustentou que o governo Duhalde quer que o Mercosul estabeleça um sistema ágil de consultas para a definição de posições comuns diante do mundo. Na área econômica Ruckauf disse que é fundamental que o bloco comercial se prepare da melhor forma possível para enfrentar as negociações com a União Européia e a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).Sobre a possibilidade de unificar posições diante dos organismos financeiros internacionais, o chanceler disse que por enquanto, isso não será possível, já que as realidades dos dois países são diferentes: "a Argentina entrou em default, e o Brasil não".As propostas serão analisadas na reunião de cúpula entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Eduardo Duhalde, que será realizada em Brasília depois de amanhã (terça-feira). Duhalde viajará de manhã cedo à capital brasileira, onde permanecerá por breves seis horas. "El Cabezón" (O Cabeção), como é conhecido popularmente, irá acompanhado pelo chanceler Ruckauf, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, o ministro da Produção, Aníbal Fernández, além de diversos secretários.Momentos de tensãoNo entanto, além das juras de integração e de ajuda mútua, a cúpula Lula-Duhalde também terá momentos de tensão. O principal foco de problemas é a operação de compra da empresa Pérez Companc pela Petrobrás. A Pérez Companc, além de estar presente no setor petrolífero, também possui empresas na área de gás e eletricidade. A operação foi fechada a meados do ano passado entre as duas empresas, e só estava pendente a aprovação pela Secretaria de Defesa da Concorrência. Mas, na semana passada, Duhalde declarou que possuía "muitas dúvidas" sobre a operação. O chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, explicou que diversas organizações sindicais e empresariais alertaram o governo para o risco que esta operação teria, alegando que a Argentina correria o risco de perder soberania, por estar cedendo a uma estatal de um país vizinho parte do setor de transporte de energia elétrica e gás. "O governo argentino ouviu estas inquietudes, e conversará sobre elas com o presidente Lula", explicou Atanasof.

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