Argentina recusa limites a avanço nuclear de países emergentes

Argentina recusa limites a avanço nuclear de países emergentes

Posição será afirmada pela presidente Cristina Kirchner, que vai à cúpula em Washington

Marina Guimarães, da Agência Estado

12 de abril de 2010 | 15h53

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vai defender que os países em desenvolvimento não sofram com limites ao avanço nuclear em sua participação na conferência sobre segurança nuclear em Washington nesta segunda-feira, 12.

 

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Cristina fará coro à proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarcou nesta segunda-feira na capital americana, onde se realiza a cúpula convocada pelo presidente dos EUA, Barack Obama. "Não falamos de pacifismo porque não temos desenvolvimento nuclear. Ao contrário, temos um forte desenvolvimento, mas voltado ao aspecto científico e tecnológico para energia e medicina", disse Cristina à imprensa argentina.

A cúpula, que reúne 47 países e vai até a terça-feira, tem o objetivo de discutir a cooperação internacional na área de proteção física de material, instalações nucleares e combate ao terrorismo nuclear. O Ministério de Relações Exteriores do Brasil distribuiu uma nota sobre o assunto, na qual expressa que "a segurança nuclear é fundamental para impulsionar o uso pacífico da energia nuclear, concorrendo para sua aceitação pública e para a prevenção de acidentes e atentados radiológicos".

 

No entanto, a cúpula só vai discutir a questão nuclear civil e não de armamento. Esse detalhe específico das discussões não é menor e preocupa a delegação do governo argentino. Fontes diplomáticas estimam que os países ricos, sem discutir controles sobre seus arsenais, tentarão impor condições e limites aos demais Estados e seus respectivos desenvolvimentos da energia nuclear.

A cúpula entre os presidentes terá início com um jantar de trabalho e continua na terça-feira, quando serão assinados dois documentos: um político e um técnico. Nas discussões prévias, Argentina e Brasil estiveram entre os países que pediram mudanças nos documentos, porque consideram que as nações que possuem arsenal nuclear deveriam ter maiores requisitos de segurança que as demais.

"Defendemos a não-proliferação e o desarmamento. Mas isso não pode significar que os países em desenvolvimento não possam ter acesso ao ciclo completo da energia nuclear", afirmou o chanceler Jorge Taiana aos jornalistas argentinos. A Argentina possui três usinas nucleares e planeja construir a quarta ainda nesse ano.

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