Argentina recusaria imunidade a soldados dos EUA

O governo do presidente Eduardo Duhalde não autorizaria a imunidade diplomática às tropas dos Estados Unidos que viriam participar de exercícios militares na província de Misiones, no nordeste do país. Na semana passada, a divulgação da informação de que as tropas dos EUA teriam imunidade total causou ampla polêmica na Argentina, já que no caso de que um soldado americano matasse ou ferisse um militar ou civil argentino durante os exercícios, seria julgado nos Estados Unidos, e não na Argentina.Diversos setores parlamentares e ONGs protestaram contra oque consideravam uma interferência nas leis argentinas. O climapara estes exercícios não é favorável, já que segundo váriaspesquisas, nos últimos meses, com o agravamento da crise econômica, social e financeira, a indisposição dos argentinos com os EUA aumentou consideravelmente.No resto do mundo, somente Israel, Romênia e Colômbia permitem a imunidade total para as tropas americanas em seu território.A informação da resposta negativa que a Argentina enviaria a Washington circulava hoje de maneira extra-oficial pela Chancelaria em Buenos Aires.O chanceler Carlos Ruckauf defende a idéia de que no máximo, a imunidade seja parcial, seguindo a Convenção de Viena, que regula a imunidade dos diplomatas em todo o mundo. Segundo Ruckauf, tudo o que ocorrer dentro do treinamento militar envolvendo um soldado americano ficará na esfera da Justiça dos EUA, enquanto que tudo o que ocorrer na área civil, será julgado pela Justiça argentina.No entanto, o governo americano pretende que a imunidade sejatotal e recusa-se em aceitar que seus soldados sejam julgados dentro do Tribunal Penal Internacional, criado em julho deste ano, apesar da oposição americana. A Argentina é um dos países que assinou o acordo de criação do Tribunal.Os exercícios, inicialmente previstos para novembro, foram suspensos pelo governo argentino, até nova ordem. Se ocorrerem,os exercícios das tropas americanas e argentinas seriam realizados na selva de Misiones, que está na divisa com o Brasil e o Paraguai.O motivo extra-oficial deste treinamento seria a preparação das tropas americanas na área da Tríplice Fronteira, onde o governo dos EUA suspeita que existam células terroristas muçulmanas, entre elas, algumas de Al-Qaeda.BrasilEm uma entrevista ao jornal "Clarín", o vice-ministro da Defesa, Fernando Maurette, declarou que o Brasil e a Argentina "têm tudo para a unidade" na área militar.Segundo o "Clarín", na Secretaria de Assuntos Militares está sendo desenvolvida a proposta de um Departamento de Segurança e Defesa permanente dentro da estrutura do Mercosul, que conferiria um caráter estável aos assuntos da área militar habitualmente discutidos nas cúpulas do bloco comercial.

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