Leo La Valle/EFE
Leo La Valle/EFE

Argentina reelege Cristina no 1º turno

Imune a escândalos que envolvem o governo, presidente deve obter maioria no Parlamento

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h00

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner foi reeleita com uma proporção de votos que oscilaria entre 53% e 55%, de acordo com bocas de urna divulgadas ontem à noite. Desta forma, a candidata da Frente pela Vitória, uma sublegenda do Partido Justicialista (Peronista), obteve um novo mandato que concluirá em 2015.

 

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"Nunca fui convencida nem serei", afirmou Cristina perante seus militantes e assessores, que bradavam seu nome no auditório do Hotel Intercontinental, quartel-general da campanha presidencial. "Mas devo agradecer a 'ele', que foi o fundador desta vitória", disse, em referência a seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), que morreu em outubro do ano passado. "Não falo dele como marido... falo dele como quadro político!", exclamou a presidente reeleita, que também afirmou que não possui "ambição alguma" e que somente age por "amor" aos argentinos.

Cristina foi parabenizada pelos presidentes sul-americanos por sua vitória nas urnas. "Recebi um telefonema fraternal da companheira Dilma Rousseff", contou com voz embargada.

Cristina, respaldada por um heterogêneo grupo político - amalgamado sob as figuras simbólicas de Juan Domingo Perón e Evita Perón -, também ficaria com a maioria do Parlamento e dos governos provinciais.

Até o fechamento desta edição, com mais de 48% das urnas abertas, Cristina tinha, de acordo com informações oficiais do Ministério do Interior argentino, 53,2% dos votos.

As posições seguintes são as mesmas tanto de acordo com as bocas de urna quanto pela contagem parcial: em segundo lugar estava o socialista Hermes Binner, um dos poucos governadores não envolvidos em escândalos de corrupção, com 17% dos votos. Em terceiro, Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-89), candidato da União Cívica Radical (UCR), com 12%. O quarto lugar estava com o peronista dissidente Alberto Rodríguez Saá, que fez campanha prometendo internet Wi-Fi grátis em toda a Argentina, com 7,5%. E, em quinto lugar, o ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), candidato de outra facção dissidente do peronismo, com 5,7%.

Os analistas destacam que, tal como ocorreu com o presidente Carlos Menem (1989-99), reeleito em 1995 em meio a uma série de casos de corrupção, a candidatura de Cristina não foi abalada pelas centenas de escândalos que envolvem integrantes de seu governo. Sua intenção de voto tampouco caiu apesar das suspeitas de enriquecimento ilícito da presidente, cuja fortuna pessoal teria aumentado 930% nos últimos oito anos.

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