Argentina rejeita ampliação britânica de licenças de pesca nas Malvinas

O governo argentino manifestou neste sábado sua "rejeição à ilegítima" decisão do Reino Unido de ampliar as licenças de exploração pesqueira nas Ilhas Malvinas, cuja soberania é disputada pelos dois países, informou a Chancelaria."A eventual aplicação da nova medida constitui uma forma de disposição ilícita e unilateral a longo prazo", afirma o comunicado do Ministério de Relações Exteriores argentino.A Argentina rejeita a entrada em vigor de uma legislação aprovada nas ilhas que amplia as concessões pesqueiras a 25 anos, enquanto as negociações bilaterais pelo controle da pesca em áreas vizinhas às Malvinas estão paralisadas. A Argentina e o Reino Unido travaram uma guerra em 1982 pelo controle das ilhas.A Chancelaria argentina lembrou que a medida "é contrária" a uma resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, "que pede às duas partes no conflito que não adotem alterações unilaterais".O governo argentino reiterou através do comunicado "sua permanente disposição a retomar imediatamente as negociações" pela soberania das Ilhas Malvinas e pediu ao governo britânico "que demonstre, sem mais demoras, igual disposição, tal como estabelecem os pronunciamentos da comunidade internacional"."A Argentina reafirma seus direitos de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes, que fazem parte integrante de seu território nacional", insiste o texto.Fontes oficiais afirmaram que o governo do presidente Néstor Kirchner pretende revogar os acordos assinados com Londres durante a gestão de Carlos Menem (1989-1999), pelos quais foram criadas comissões para o controle da pesca e a prospecção petrolífera.Os porta-vozes ressaltaram que a Argentina nunca reconheceu a "zona de exclusão" decidida pelos britânicos em torno das ilhas, que estão situadas a 400 milhas náuticas do litoral argentino.Em 15 de junho, Buenos Aires denunciou ao Comitê de Descolonização das Nações Unidas "atos ilegítimos" dos britânicos nas Malvinas, cujo governo local pede o direito à autodeterminação, a que se opõem os argentinos.

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