REUTERS/Andres Stapff
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Argentina se despede da primeira mãe da Praça de Maio

Pepa Noia foi uma das 14 mulheres que combinaram de se encontrar às 16h30 na principal praça do país naquele sábado de abril para reivindicar a localização de seus filhos

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 20h59

A primeira mãe de desaparecidos políticos a chegar à Praça de Maio no dia 30 de abril de 1977, para uma reunião que levaria à criação de um dos mais famosos grupos de defesa dos direitos humanos da Argentina, foi enterrada nesta terça-feira, 1.º, em Buenos Aires. Josefina García de Noia, conhecida como Pepa Noia, tinha 94 anos e nunca reencontrou a filha.

 

Pepa foi uma das 14 mulheres que combinaram de se encontrar às 16h30 na principal praça do país naquele sábado de abril para reivindicar a localização de seus filhos. Ela dizia que havia chegado duas horas antes do horário marcado "porque estava muito ansiosa". Ela buscou por 39 anos sua terceira filha, María de Lourdes, sequestrada por militares na última ditadura (1976-1983) em 13 de outubro de 1976 com o marido, Enrique Mazzadra.

Há quatro anos, sua trajetória foi contada no livro Una Madre de la Primera Hora, do historiador Enrique Arrosagaray. No lançamento, ela afirmou que continuaria indo ao lugar para reclamar a aparição com vida de todos os detidos e desaparecidos "até que pudesse e desde que não chovesse". A Fundação Mães da Praça de Maio tem hoje uma concessão de rádio, uma universidade, um programa de televisão e um plano de moradias sociais e creche. Sua presidente, Hebe de Bonafini, é defensora do governo de Cristina Kirchner. 

A ditadura argentina, segundo dados oficiais, chegou ao fim com 30 mil desaparecidos e 500 crianças roubadas - a número 117 recuperou sua identidade na segunda-feira, 31, segundo a organização Avós da Praça de Maio. Até esta terça-feira, embora o parentesco estivesse comprovado por exames de DNA, a mulher de 37 anos não havia feito contato com as avós. 

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