Argentina se firma na mediação de crise sul-americana

A Argentina se consolida hoje como mediador no conflito Colômbia-Venezuela ao receber o chanceler venezuelano Nicolás Maduro. Em uma situação inédita na política local, a presidente Cristina Kirchner e o marido Néstor Kirchner, ex-presidente (2003-2007) e atual secretário da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), negociam uma aproximação dos dois países desde ontem, quando se reuniram, separadamente, com o presidente colombiano eleito Juan Manuel Santos.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 12h23

Ontem à noite, Cristina recebeu Santos na Casa Rosada, onde conversaram sobre as soluções para a crise com a Venezuela. Na quinta-feira passada, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou a ruptura das relações com a Colômbia e enviou 20 mil militares para a fronteira. O gesto ocorreu em reação à denúncia do embaixador colombiano junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) de que Chávez dá guarida a 1.500 rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

O encontro com Santos já estava marcado havia duas semanas e fazia parte da série de viagens que ele empreendeu à região antes de tomar posse no próximo dia 7 de agosto. Porém, com a elevada tensão entre os dois países, o assunto dominou a agenda com Cristina e continuou no jantar que ele teve com Néstor Kirchner, na residência do embaixador colombiano em Buenos Aires.

Celulose

Como secretário-geral da Unasul, Kirchner iniciou as conversas com os dois lados do conflito para tentar apaziguar a tensão. "Dois países irmãos não podem estar em enfrentamento", definiu Kirchner momentos antes do jantar, sem recordar que quando ele era presidente iniciou um conflito com o Uruguai, que durou quase seis anos por causa da construção de uma fábrica de papel e celulose. Foi há apenas poucos meses, depois da posse de José Mujica na presidência do Uruguai, que os dois países voltaram a se falar, mas o problema em torno da fábrica ainda continua em processo de negociação.

Porém, Kirchner se propõe em "aportar paz" à tormentosa relação entre Álvaro Uribe e Hugo Chávez. No dia 5 ele vai se reunir com o venezuelano em Caracas e um dia depois com Uribe, em Bogotá. No dia seguinte será a posse de Santos, que contará com a presença dos Kirchner. Antes, Néstor vai manter um segundo encontro com o presidente eleito, com quem Chávez já manifestou abertura para dialogar e encontrar um consenso. Maduro antecipou que na reunião entre os chanceleres da Unasul, marcada para quinta-feira em Quito, no Equador, a Venezuela vai apresentar uma proposta de paz.

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