Argentina teria recebido envelope com antraz

A Argentina poderia ter recebido o primeiro envelope com antraz na América do Sul. O envelope suspeito foi recebido por uma família do bairro de Parque Patrícios, em Buenos Aires, proveniente de Miami, EUA. Dentro do envelope, além de um folheto sobre cruzeiros no Caribe, havia um misterioso pó branco, que nesta sexta-feira no fim da tarde estava sendo analisado pelo Instituto Malbrán. O diretor do instituto, Andrés Ruiz, afirmou que existem "elevadas suspeitas" de que a bactéria encontrada no pó do envelope era antraz. Nas últimas duas semanas foram recebidos mais de 600 envelopes na Argentina suspeitos de terem pó com antraz. No entanto, em todos os casos o resultado do exame foi negativo. O temor pelos bacilos da doença também tomaram conta da Câmara de Deputados, depois que o deputado do Partido Justicialista (Peronista) Carlos Soria, recebeu um estranho envelope enviado desde Massachussets, EUA. Na Biblioteca Municipal da cidade de La Plata, uma funcionária pública foi internada depois de ter aberto um envelope com a conta telefônica. Ao abri-lo, um pó branco espalhou-se no ar, causando-lhe forte irritação nos olhos. Posteriormente comprovou-se que o pó estava misturado com elementos de gás lacrimogêneo. Os envelopes brancos também apareceram em um avião da empresa Arg, que fazia a rota Mendoza-Buenos Aires. O envelope foi recolhido pela polícia aeronáutica do aeroporto metropolitano de Buenos Aires para ser analisado. Na Casa Rosada, a sede do governo presidencial, a segurança foi reforçada na área de correspondência por temor a receber uma carta com antraz. Toda a correspondência será retida em uma mesa até que cada destinatário seja convocado para verificar se reconhece a procedência da carta. Caso o remetente não seja conhecido, o corpo de bombeiros retitará a carta para exames. Buenos Aires agitou-se hoje com a revelação de um telefonema recebido há um ano pela embaixada argentina na Arábia Saudita, no qual o grupo terrorista Al Qaeda assumia "a explosão na Argentina" (supostamente o atentado realizado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires ou a associação beneficente judaica AMIA), além de indicar que ocorreria um ataque contra os EUA ainda em setembro do ano passado. Mais de um ano depois de ocorrida, a revelação do telefonema foi realizada pelo ex-encarregado de negócios argentino na Arábia Sudita, Juan José Etchegoyen, que na época informou a Chancelaria, que por sua vez, informou a Side, o serviço secreto. No entanto, a Side sustenta que somente foi informada há 15 dias, e não há um ano, como afirma a Chancelaria. A revelação do telefonema dividiu a comunidade judaica argentina. O grupo Memória Ativa, de parentes das vítimas da AMIA, considera que a história "está mal contada". Para representantes da Delegação de Associações Israelenses na Argentina (DAIA), a nova pista, apontando para Bin Laden, poderá ser correta. Leia o especial

Agencia Estado,

19 Outubro 2001 | 18h41

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