Argentina vai reajustar salários para acelerar consumo

A alta do custo de vida na Argentina deu um salto por causa do conflito entre o governo de Cristina Fernández de Kirchner e o setor agropecuário e do encarecimento das matérias-primas. Os economistas recomendam um esfriamento da economia para frear a inflação. Mas o governo decidiu lançar um plano de aumentos salariais para acelerar o consumo e evitar que a economia esfrie. A crise com o campo se arrasta desde março.Segundo fontes oficiais, a presidente Cristina pretende anunciar um aumento do salário mínimo de 980 para 1.200 pesos (R$ 521,28 para R$ 638,31), beneficiando os aposentados e pensionistas. Além de elevar o piso dos salários para a aplicação do imposto de renda. As medidas, segundo a imprensa local, são para seduzir a classe média argentina, o setor que tem sido mais crítico ao governo e fez massivos panelaços em favor dos produtores rurais.A União Industrial Argentina (UIA) avalia que os novos aumentos pressionam a inflação. "De janeiro de 2002 até agora o salário mínimo subiu 380%", afirmou o advogado da UIA Daniel Funes de Rioja. A inflação começou a subir no fim de 2005 e de lá para cá não parou mais. Para contê-la, o governo do ex-presidente Néstor Kirchner iniciou um programa heterodoxo, baseado no controle de preços e em elevados subsídios dados diretamente a determinadas indústrias para neutralizar a alta dos custos.Eleita em outubro do ano passado, a mulher de Néstor Kirchner, Cristina tomou posse em 10 de dezembro e mantém o programa. Recebem subsídios os setores de aviação, transporte coletivo urbano, alimentação, combustíveis e energia elétrica. Os acordos de estabilidade de preços feitos com estes setores e outros funcionaram somente por um ano. Estatísticas oficiais indicam elevação de 9,1% para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acumulado nos últimos 12 meses. Mas um levantamento do jornal "La Nación" com 40 economistas, consultorias, fundações, universidades, centros de estudo e bancos revelou que em junho a inflação anual atingiu 24%, nível que poucos esperam que baixe ao longo do ano.

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