Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Argentina volta à normalidade após greve geral

Governo de Cristina Kirchner e sindicalistas trocaram acusações, um dia após 1ª paralisação em uma década

Marina Guimarães, correspondente, Agência Estado

21 de novembro de 2012 | 14h56

BUENOS AIRES - Depois de uma greve geral que paralisou grande parte da Argentina na terça-feira, 20, o país voltou à normalidade nesta quarta, em meio a um forte bate-boca entre a Central Geral do Trabalho (CGT) "opositora" e os porta-vozes do governo. Sem reconhecer que o silêncio em Buenos Aires foi tão contundente quanto o barulhento panelaço do dia 8 de novembro, o governo mantém a estratégia oficial de tentar amenizar e deslegitimar o protesto, por meio de acusações aos líderes sindicais. Buenos Aires representa mais de um terço da população nacional.

 

O senador Aníbal Fernández (Frente pela Vitória/FPV) acusou o secretário da CGT, Hugo Moyano, de ser um traidor e o comparou a um sindicalista dos anos 60, Augusto Tímoteo Vandor, que propôs um "peronismo sem Perón". O senador disse que a presidente Cristina Kirchner "não vai mudar" nada em sua política somente porque "Augusto Timoteo Moyano faz uma greve". Em resposta, Moyano chamou a atenção sobre o trágico fim de Vandor, que foi assassinado. E deixou entrever que poderia apresentar uma denúncia contra Fernández por ameaça.

 

Em entrevista à rádio Mitre, Moyano foi irônico ao dizer que está preocupado pelo "nervosismo" exibido pela presidente em sua primeira reação à greve geral. "Me preocupa a atitude da presidente, o nervosismo que demonstrou ontem, quando deveria ter a absoluta tranquilidade e ver como resolver o assunto, em lugar de apelar ao confronto e à desqualificação", disse Moyano. Cristina Kirchner, durante discurso, no início da noite de terça, afirmou que a greve foi uma extorsão política para pressionar e ameaçar o governo. "Não falamos de piquete, falamos de aperto e ameaça que fazem no país (...) Vou aguentar o que tiver que aguentar (...) Não vão me afastar  com ameaças de gangues e bandidos", disparou.

 

Dividida em duas, a CGT opositora de Moyano se uniu à Confederação de Trabalhadores Argentinos (CTA) para reivindicar a eliminação de impostos sobre os salários e aumentos salariais, para fazer frente à elevada inflação. A CGT reúne em sua maioria sindicatos ligados aos serviços, enquanto a CTA representa os empregados públicos. A greve bloqueou todos os acessos à capital federal e várias rodovias em todo o país, além de todos os transportes terrestres e aéreos. As exportações de grãos também foram paralisadas. Os hospitais públicos só atenderam emergências, enquanto as escolas e as dependências da justiça permaneceram fechadas.

 

Desde a morte de Néstor Kirchner, em outubro de 2010, Moyano, um velho aliado, foi isolado do governo. Mas a ruptura final ocorreu durante as eleições de outubro de 2011, quando a CGT não conseguiu impor nenhum candidato nas listas oficiais. Esta foi a primeira greve geral nos últimos 10 anos e pode marcar o início de um período de forte conflito sindical na Argentina.

Tudo o que sabemos sobre:
ArgentinaBuenos Airesgreve geral

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.