Argentinos ainda sentem-se europeus

"O argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês" é um velho ditado que demonstra porquê os habitantes deste país aindapreferem croissant a hambúrguer:segundo uma pesquisa da Gallup, 48% dos pesquisados sentem-se mais identificado com a Europa, enquanto somente 29% inclinam-se aos EUA. Na classe média, a preferência pela Europa sobe para 55%.Segundo analistas a auto-imagem dos argentinos ainda se define como profundamente européia. Uma piada que circulava há poucos anos em Buenos Airesdizia que os argentinos eram "europeus deixados na América do Sul por esquecimento de Deus". Outros analistas também afirmam que o antagonismo com os EUA data do início do século passado, e que foi reforçado durante o governo nacionalista dogeneral Juan Domingo Perón.Além disso, os argentinos sentiriam-se mais identificados com sociedades as européias. Inclusive, na hora de emigrar em busca de um futuro melhor, preferem partir para a Espanha ouItália a aos EUA.Depois de dez anos de intenso neo-liberalismo exercido durante o governo do presidente Carlos Menem (1989-99), 49,4% dos argentinos gostariam de um intervencionismo estatal maior, enquanto que 35% preferem a não-intervenção.Com relação aos países mais próximos, a pesquisa da Gallup revela que enquanto grande parte dos argentinos querem vínculos com os países vizinhos.Segundo a pesquisa, somente 35% dos argentinos gostariam de uma maior integração com a América Latina. Mas 48% desejariam que o país recuperasse os tempos de glória em que o PIB era maior queo da Itália, Japão ou Canadá, e se associasse aos países desenvolvidos.A pesquisa também revelou que este país, que se desenvolveu graças à imigração entre 1880 e 1930, atualmente rejeita a entrada de estrangeiros: 70% prefeririam que houvesse pouca imigração para a Argentina. Somente 21% consideram que uma das saídas do país seria um aumento da imigração.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2001 | 18h11

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