Argentinos batem recorde de protestos sociais

Este ano foi recorde em matéria de protestos sociais. Segundo o Centro de Estudo Nova Maioria, comandado pelo analista Rosendo Fraga, com o país sob a administração do presidente Eduardo Duhalde, foram registrados 195 piquetes nas estradas. Essa é a modalidade mais usada para protestos na última meia década na Argentina, seja por desempregados, sindicalistas, estudantes ou aposentados. Até 30 de novembro foram contabilizados 2.154 protestos. No ano passado, durante o fim do governo do ex-presidente Fernando de la Rúa, o Centro registrou 1.383 protestos, enquanto em 2000 ocorreram apenas 514. No ano anterior os piquetes nas estradas chegaram a 252. O pano de fundo para esses protestos foi a disparada da pobreza, que atingia 38% dos argentinos e subiu para 53%. Além disso, o desemprego subiu de 18,5% para 21,5%. A fome atinge em média 20% das crianças argentinas, embora em algumas regiões do norte do país, as mais empobrecidas, chegue a 70%. Ao longo de 2002, os habitantes das principais cidades da Argentina tiveram suas vidas tumultuadas pelos protestos. Em Buenos Aires, onde as principais avenidas do centro da cidade permaneceram bloqueadas em grande parte do ano, tornou-se comum explicar os atrasos para uma reunião ou um encontro usando os piquetes como desculpa. O estudo indica que ao longo de 2002 os protestos tiveram seu pico na primeira metade do ano. A criação dos planos temporários de trabalho - subsídio concedido a 2,05 milhões de desempregados - em meados do ano, colaborou para reduzir a tensão social que pairava como uma nuvem sombria sobre a Argentina. Subsídios O instituto também indicou que em 2002 ocorreram 145 saques a comércios e supermercados. Nos dois anos de governo De la Rúa (1999-2001), o total de saques foi de 865, a maioria deles concentrada no ano passado. Segundo o analista, o número de saques foi inferior ao ano passado por causa dos subsídios aos desempregados. No entanto, o Centro registrou que, apesar da média relativamente baixa deste ano, em novembro a situação social voltou a ficar tensa e ocorreram 39 saques. Segundo avaliação de Fraga, a crise social que causou a queda do governo De la Rúa, há um ano, foi superior à registrada durante o período de hiperinflação que causou a renúncia antecipada de Raúl Alfonsín em 1989. Além disso, ele sustentou que foi a pior crise desde as greves e os choques entre a polícia e operários durante a "Semana Trágica" de 1919.

Agencia Estado,

25 Dezembro 2002 | 08h55

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