Argentinos vão às urnas para escolher sucessor de Cristina Kirchner

O conservador Mauricio Macri enfrenta o governista Daniel Scioli, em um segundo turno inédito 

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2015 | 09h14

BUENOS AIRES - Os argentinos começaram a decidir às 8 horas (9 horas em Brasíli) deste domingo, 22, quem será o sucessor da presidente Cristina Kirchner, que deixa o poder depois de oito anos. Após uma campanha marcada por reviravoltas, a coalizão de direita Cambiemos, do conservador Mauricio Macri, chega como favorita segundo todas as pesquisas divulgadas no segundo turno. 

O governista Daniel Scioli, que venceu o primeiro turno por margem estreita (37% ante 34,1% de Macri), tentou reverter o cenário desfavorável nas últimas três semanas associando o rival a um ajuste econômico que levaria o país a uma crise semelhante à de 2001, a pior da história argentina.

Macri promete retirar o controle estatal sobre o dólar, vigente desde 2011, no primeiro dia de governo, dia 10 de dezembro. A medida ocasionaria uma desvalorização do peso, cujas consequências seriam diferentes segundo os rivais. Scioli, representante do kirchnerismo iniciado com Néstor em 2003, garante que a medida atingiria o poder de compra e alimentaria a inflação. Ele propõe um ajuste gradual do câmbio, depois de atrair mais investimentos para o país, cujas reservas no Banco Central, de US$ 25,9 bilhões, são consideradas baixas por especialistas. Macri nega ser o "candidato do ajuste", acusa o rival de promover uma campanha do medo e sustenta que conseguirá segurar a alta de um dólar livre com a entrada imediata de investimentos.

Esta é a primeira campanha presidencial na Argentina sem um representante da família Kirchner em 12 anos. A população participa pela primeira vez de um segundo turno eleitoral neste domingo e está surpresa com a alternância de favoritos, erros em prognósticos e fraudes em votações.

A previsão é de sol em todo o país, à exceção do extremo sul. A participação dos eleitores por região importa porque o kirchnerismo domina o norte, o nordeste e o sul, áreas mais pobres, mais dependentes do Estado e menos povoadas. Macri atrai eleitores das maiores cidades: Buenos Aires, Córdoba, Rosário e Mendoza. Elas estão em zona ricas, ligadas ao turismo, à indústria automobilista ou à agropecuária. A votação termina às 18 horas (19 horas de Brasília) e os primeiros resultados são esperados para as 22 horas.

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