Argentinos criticam impunidade em ato que lembra atentado

No 17º aniversário do ataque a entidade judaica, parentes das vítimas reclamam que até hoje ninguém foi preso

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

Milhares de argentinos reuniram-se ontem em Balvanera, tradicional bairro da comunidade judaica portenha, para lembrar os 17 anos do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). O ataque matou 85 pessoas e deixou 300 feridos. Até hoje ninguém foi preso.

A presidente Cristina Kirchner participou da cerimônia de homenagem às vítimas e teve de ouvir uma série de reclamações pela falta de avanços nas investigações.

"Presidente, agradecemos sua presença. Mas isso não é o suficiente. Precisamos de justiça", disse Guillermo Borger, presidente da Amia. "Dezessete anos de investigações sem resultados é demais. Não podemos continuar esperando."

Segundo a Justiça argentina, o atentado contra o centro judaico foi planejado pelo grupo xiita libanês Hezbollah, sob ordens do Irã. Autoridades argentinas também são investigadas por omissão e participação indireta no complô terrorista.

No fim de semana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse estar disposto a levar adiante um "diálogo construtivo" e "cooperar com o governo argentino para que tudo fique claro" sobre o atentado à Amia. Hoje, o homem acusado de ser o mentor do ataque em Buenos Aires, Ahmad Vahidi, é ministro da Defesa do governo iraniano.

Ahmadinejad também anunciou ontem que "condena todos os atos terroristas, especialmente o da Amia" e declarou-se "solidário às vítimas". O secretário-geral da instituição judaica argentina, Julio Scholsser, disse que o iraniano "parece tirar sarro" com suas declarações.

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