Argentinos divididos entre governo de salvação e eleições

Após as renúncias sucessivas do presidente interino da Argentina, Adolfo Rodríguez Saá, e do titular do Senado, Ramón Puerta, dirigentes justicialistas e radicais se manifestaram, alguns em favor da formação de um governo de unidade nacional, outros por uma rápida convocação de eleições.Segundo o jornal argentino El Clarín, estas foram as principais reações ante o desaparecimento do governo nomeado interinamente na semana passada: CARLOS RUCKAUF (governador da província de Buenos Aires): defende a formação de um governo de "salvação nacional" que inclua todas as forças políticas. Não acredita na necessidade de convocar rapidamente eleições: ?Houve no justicialismo a busca de um mecanismo de resolução da crise somente a partir do voto, e me parece que as pessoas querem primeiro um governo, e depois sua ratificação ou mudança pelo voto?.JOSÉ MANUEL DE LA SOTA (governador de Córdoba): "Passamos estes sete dias respaldando Rodríguez Saá. Devemos fazer eleições com a maior rapidez possível". De la Sota rechaçou "os arranjos feitos entre políticos". Disse que sua intenção ao demandar a Rodríguez Saá que cumprisse o compromisso de convocar eleições para março foi "defender o direito do povo argentino de eleger as autoridades".NESTOR KIRCHNER (governador de Santa Cruz): "Cuidado para que, com a idéia de um governo de salvação nacional, não apareça uma direção política que faça um acordo de cúpula. Creio que é preciso dizer a verdade aos argentinos, e (a solução) não passa por gerar acordos corporativos das cúpulas", ressaltou. Opinou que devem ser convocadas eleições para 3 de março, como estava previsto, e que se deve dizer aos argentinos ?onde está o dinheiro que depositaram nos bancos?, e que, se os bancos não têm o dinheiro, que respondam ante a Justiça, e, se o Banco Central não controlou, que responda ante a Justiça?.RUBEN MARÍN (governador de La Pampa): é a favor de que o próximo presidente seja eleito pelo povo e não pela assembléia constituinte, já que, "é assim que se escolhe o Papa? e que, se for da mesma forma com o governo, a designação será questionada em três dias. Para Marín, "o povo deve respaldar" o novo presidente, para que ele possa tomar decisões, e é o povo ?que tira e põe os presidentes?. Argumentou que ninguém pode assumir a responsabilidade de governar "se não tem o aval da sociedade".ANTONIO CAFIERO (senador justicialista): é contra as eleições em março próximo ?porque o país está em uma crise demasiado traumática? e pediu à assembléia legislativa que eleja um presidente por amplo consenso, para completar o mandato de Fernando de la Rúa. Cafiero assinalou que pensava antes que o melhor seria convocar eleições, mas que a experiência com Saá o levou a pensar que o melhor é um nome de consenso para terminar o mandato e deixar por enquanto a idéia das eleições.ANIBAL IBARRA (chefe do governo portenho e do FREPASO): pede um "acordo básico" entre todos os setores sociais, para eleger um homem "que não pode ser de outro partido que não o Justicialismo" e um programa de governo "com três ou quatro eixos". É contra a convocação de eleições em março próximo porque ?o país vive uma crise demasiado traumática?. ROBERTO IGLESIAS (governador de Mendoza): Considera que, ante a renúncia de Rodríguez Saá, deve-se formar um governo de unidade nacional. "Estou convencido, há mais de uma semana, quando o dissemos a Fernando de la Rúa, que é preciso um governo de unidade. Temos que deixar de alquimias e coisas estranhas", afirmou.FERNANDO DE LA RÚA (ex-presidente): em sua primeira aparição pública desde a saída apressada do governo, exortou à manutenção de um diálogo franco entre todos os argentinos e à unidade nacional como único meio de sair da crise.LEOPOLDO MOREAU (deputado federal da União Cívica Radical - UCR): "Estamos a milímetros de uma guerra civil, a milímetros de uma situação caótica", afirmou. Pediu que os partidos políticos entrem num acordo para que ?todos juntos" elaborem "o programa de um governo de unidade nacional".RICARDO GIL LAVEDRA (constitucionalista, ex-ministro da Justiça): ele acha que a assembléia legislativa deve designar um presidente até 2003, que lidere um governo de forte união nacional. ?É o mais razoável, o país não está para eleições", afirmou.Leia o especial

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