Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Argentinos fazem novo panelaço contra Cristina Kirchner

Segundo pesquisa, seis de cada dez argentinos consideram que governo está 'descontrolado'

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

08 de novembro de 2012 | 13h04

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner será alvo de um novo panelaço de protesto contra seu governo na noite desta quinta-feira, 8. O protesto, convocado pelas redes sociais, sem a participação explícita dos partidos políticos da oposição, teria um amplo leque de reclamações, desde a escalada inflacionária cuja existência a presidente nega, o surgimento de novos escândalos de corrupção envolvendo integrantes do kirchnerismo, o aumento da criminalidade e a intervenção crescente da Casa Rosada na economia.

 

Nos últimos dias também causou irritação popular a publicação no Diário Oficial de que a presidente destinará R$ 1 milhão para a remodelação de um banheiro no andar do escritório presidencial. A irritação popular aumentou mais ainda ontem à tarde, quando um apagão - provocado por falhas em uma rede administrada pelo governo federal - deixou 3 milhões de pessoas sem energia elétrica em Buenos Aires e nos municípios do entorno da capital. O apagão provocou a suspensão dos serviços de trens e metrô, gerando caos no trânsito portenho.

 

Impopular

 

Segundo uma pesquisa da consultoria Management & Fit, a aprovação popular de Cristina é de apenas 31,6%. Outros 59,3% desaprovam a forma como ela está governando a Argentina. Além destes, 9,1% não possuem opinião formada. O cenário é radicalmente diferente à paisagem política de um ano atrás, quando Cristina foi eleita com 54% dos votos. Atualmente, ela tem menos de metade dos 64% de popularidade que ela ostentava em dezembro passado, quando o governo anunciou que ela sofria de um câncer na tireoide (doença cuja suposta existência depois teve que desmentir).

 

Os analistas afirmam que tudo indica que o panelaço, que há várias semanas está sendo convocado nas redes sociais, teria amplo sucesso. Segundo a pesquisa da Management & Fit, 64% dos entrevistados são a favor do panelaço, embora um setor dos entusiastas com o protesto afirme que não sairá de casa para marchar contra o governo em direção à Casa Rosada, preferindo bater as panelas nas janelas ou portas de suas casas. Há panelaços também previstos para hoje à noite no exterior, que seriam protagonizados por argentinos residentes em outros países, entre eles, o Brasil.

 

Este é o segundo panelaço contra a presidente Cristina nos últimos dois meses. O primeiro, no dia 13 de setembro, levou 200 mil pessoas às ruas em Buenos Aires, enquanto outros 100 mil manifestaram-se nas principais cidades do interior. Grupos nas redes sociais já programam outro panelaço para dezembro.

 

Nos últimos dias o governo começou uma campanha de desprestígio do panelaço, indicando que as forças da oposição estariam por trás da manifestação. "O protesto do dia 8 é uma invenção da ultra-direita pagã. É um protesto contra o povo!", disse o senador Aníbal Fernández, ex-chefe do gabinete de Cristina e principal homem da presidente no Senado. A ex-candidata presidencial e deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, de oposição, declarou que o panelaço deveria ser "apolítico". Ela sustenta que a oposição não deveria participar do panelaço: "o povo é o protagonista principal nesta manifestação". Segundo Carrió, o panelaço é uma "marcha pela liberdade".

Manifestação foi convocada pelas redes sociais com imagens como esta

 

Sem controle

 

Outra pesquisa, da consultoria Poliarquia, indica que 46% dos entrevistados consideram que a presidente Cristina "está perdendo o controle" de seu governo. Outros 20% são mais pessimistas e afirmam que a presidente "já perdeu" o controle. Sergio Berensztein, analista da Poliarquia, afirma que a imagem da presidente está "desvalorizando-se muito rapidamente devido aos problemas acumulados do governo Kirchner".

 

Na pesquisa da Management & Fit, o vice-presidente Amado Boudou, roqueiro amador nas horas vagas, ostenta uma desaprovação de 53%. Boudou, que protagoniza um escândalo de corrupção, o "Caso Ciccone", por supostos favores em negócios da gráfica que o Estado argentino terceirizava para a impressão de cédulas de pesos, somente possui 11,6% de imagem boa, outros 1,1% de imagem muito boa,e 21,1% de imagem regular.

 

No entanto, a oposição também vai de mal a pior. Segundo a pesquisa, 70,4% dos entrevistados desaprovam o trabalho dos partidos da oposição. Somente 13,9% aprovam os líderes que confrontam a presidente Cristina, enquanto que outros 15,7% não possuem opinião formada. 

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