Leando Teysseire/Efe
Leando Teysseire/Efe

Argentinos lembram 17 anos de ataque contra Amia e reivindicam justiça

Parentes e vítimas pedem mais empenho das autoridades; nenhum culpado foi detido

Ariel Palacios, de Buenos Aires,

18 de julho de 2011 | 18h29

BUENOS AIRES - Sob intensa chuva, milhares de argentinos reuniram-se nesta segunda-feira, 18, na área do bairro de Balvanera, conhecido como "Once", um dos redutos da comunidade judaica de Buenos Aires, para recordar os dezessete anos do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). No ataque terrorista, ocorrido em 1994, morreram 85 pessoas. Outras 300 foram feridas ou mutiladas.

 

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A presidente argentina, Cristina Kirchner, participou da cerimônia de homenagem às vítimas. Ela ouviu dos parentes das vítimas uma série de reclamações pela falta de avanços nas investigações do atentado que ocorreu há mais de uma década e meia.

 

"Presidente, agradecemos sua presença. Mas isso não é suficiente. Precisamos de Justiça!", exclamou Guillermo Borger, presidente da Amia no discurso de abertura do ato pelo 17º aniversário do ataque. Nenhum culpado foi detido até agora. "Dezessete anos de investigações sem resultado é demais! Não podemos continuar esperando. Queremos honrar a memória dos mortos".

 

"Não teremos nem temos segurança enquanto atentados como este permanecerem impunes, sob a proteção de um governo tirano que viola os Direitos Humanos e assassina", declarou à imprensa o brasileiro Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-americano, que assistiu ao ato em Buenos Aires.

 

Irã e Hezbollah

 

O planejamento do atentado é atribuído ao governo iraniano da época. Segundo a Justiça argentina, o grupo Hezbollah teria implementado o ataque terrorista planejado por Teerã.

 

Nos últimos dois anos o promotor federal Alberto Nisman e as autoridades argentinas ampliaram a investigação para revisar a conexão local do atentado e assim, levar ao banco dos réus outros participantes do ataque. "Mas, dois anos depois, não temos uma única pessoa indiciada nem uma pista ou prova".

 

O aniversário do atentado também foi embalado pelo inesperado comunicado emitido no fim de semana pelo governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, no qual anuncia que está disposto a manter um "diálogo construtivo" e a "cooperar com o governo argentino para que tudo fique claro" sobre o atentado contra a Amia. O governo de Teerã também anunciou que "condena todos os atos terroristas, especialmente o da Amia" e declara "solidariedade com as vítimas".

 

O chanceler argentino, Héctor Timerman, declarou que espera receber o comunicado do Irã de forma oficial, antes de emitir uma opinião. "Mas, se fosse confirmado o que foi publicado, significaria um avanço inédito", afirmou. No entanto, o secretário-geral da Amia, Julio Scholsser, afirmou que o comunicado da chancelaria iraniana "parece uma gozação".

 

Arquivos

 

Após a cerimônia, parentes das vítimas do atentado anunciaram que encaminharão à presidente Cristina um pedido para que abra os arquivos secretos da ex-Side, a denominação antiga do serviço de inteligência do Estado argentino.

 

Segundo Luciana Ginsberg, filha de Enrique Ginsberg - vítima mortal do atentado - entre as informações secretas está o decreto confidencial do então presidente Carlos Menem (1989-99) autorizando o pagamento de US$ 400 mil a Carlos Telleldín, um dos suspeitos de ter sido o fornecedor do veículo que serviu de carro-bomba.

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