Argentinos protestam contra apagões

Cristina Kirchner renegocia dívidas das províncias para tentar evitar crises como as que ocorreram durante greves nos últimos meses

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2013 | 02h08

Em meio a uma onda de calor inédita em décadas, apagões de energia elétrica assolam há mais de uma semana diversos bairros da capital argentina, entre eles os de Recoleta, Almagro, Boedo, Villa Devoto, Villa Crespo, Caballito, Paternal e Mataderos. Alguns bairros, como Flores, têm setores sem eletricidade há 11 dias de forma ininterrupta.

Também persistiam ontem apagões em diversos municípios da Grande Buenos Aires, como Lanús, Avellandea, Olivos e Hurlingham.

Furiosos com a falta de energia, moradores de diversos bairros protestam nos principais cruzamentos dos bairros atingidos. Entre as modalidades de manifestação estão os panelaços e os piquetes com pneus em chamas.

A irritação aumentou mais ainda com as declarações do ministro do Planejamento Federal e Obras, Julio De Vido, que sustentou que o sistema de interconexão elétrica "opera com normalidade e conta com reservas adicionais".

Além de centenas de milhares de moradores, a falta de energia elétrica paralisou a atividade comercial em diversos pontos de Buenos Aires e sua área metropolitana.

Os apagões atingem hospitais portenhos, como o Durand, onde pacientes desmaiaram por não poderem utilizar aparelhos de auxílio à respiração. Diversos bancos de sangue em Buenos Aires, sem a refrigeração adequada durante vários dias, tiveram perdas em seus estoques.

As duas empresas privadas de energia elétrica, a Edesur e a Edenor, foram ameaçadas pelo governo Kirchner na semana passada com uma eventual reestatização dos serviços.

No entanto, ontem o governo amenizou a hipotética reestatização quando o chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, afirmou que a Casa Rosada avalia que o governo da cidade de Buenos Aires, de oposição, se encarregue da empresa na capital, enquanto que o governo da província de Buenos Aires, um aliado circunstancial, administre por seu lado a distribuição de energia elétrica provincial. Desta forma o governo federal ficaria de fora do problema dos apagões que acontecem na Argentina em todos os verões desde a primeira crise energética, em 2004.

Mas o governo portenho descartou a hipótese de aceitar a administração da Edesur.

"Nas condições atuais não é conveniente aceitar, já que o governo Kirchner quer tirar um problema de cima. E além disso, a empresa deixa muito a desejar", esclareceu Cristian Ritondo, vice-presidente da Assembleia Legislativa portenha.

Províncias. O governo Kirchner assinou ontem um acordo com os governadores de 17 das 24 províncias argentinas para reprogramar as dívidas provinciais com a União. Como contrapartida do pacto, os governadores deverão cumprir metas econômicas para amenizar as crises sociais que começaram a ocorrer nos últimos meses.

Nas primeiras semanas de dezembro, províncias foram cenário de saques a estabelecimentos comerciais e residências protagonizados por pessoas que aproveitaram greves das forças policiais.

Na semana passada, o governador de Corrientes, Ricardo Colombi, à beira do colapso financeiro, havia ameaçado emitir bônus provinciais como "moedas paralelas" para pagar o funcionalismo público e fornecedores do Estado. Colombi afirmou que diversos governadores estavam avaliando recorrer a essa saída como forma de driblar os problemas financeiros caso a União não reprogramasse as dívidas provinciais.

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