Argentinos querem proteção contra calçado brasileiro

Osfabricantes de calçados da Argentina pedirão maior proteção para o setor. Os fabricantes foram beneficiados pela recentedecisão do governo argentino de aumentar a tarifa externa alfandegária do Mercosul para 35% para mais de milprodutos classificados como bens de consumo. A lista inclui os calçados provenientes de fora do Mercosul. No entanto, na Câmara da Indústria do Calçado (CIC), esta medida não é considerada suficiente. Segundo o presidente daCIC, Carlos Bueno, ?é preciso que os produtos importados entrem pelo valor que corresponde?.Por isso, Bueno defende a ?fixação de preços de referência, porque a maioria dos produtos que entram de fora doMercosul o fazem com preços inferiores a US$ 1, o que é inadmissível?.Fontes do setor sustentaram ao Estado que os calçadistas argentinos aproveitariam a política de proteção contra produtos defora do Mercosul para pedir ao governo medidas suplementares, que restrinjam a entrada de calçados importados do Brasil.Os calçados brasileiros são o principal concorrente dos calçados locais. O temor dos fabricantes argentinos é que o vácuo criado pela redução das importações de calçados extra-Mercosul serápreenchido pelos calçados brasileiros, e não pelos similares argentinos.As montadoras instaladas na Argentina também fizeram pedidos ao governo. Em uma reunião com o secretário daIndústria, Carlos Sánchez, o presidente da Associação de Fabricantes de Automóveis (ADEFA), Cristiano Ratazzi, pediuque o governo elimine as regulações que ?estão brecando os investimentos? no setor.Ratazzi disse, após reunião de duas horas, que o governo ?pensa? em reduzir as regulações que atingem o setor automotivo.As montadoras reclamam há anos uma redução dos encargos sociais, de diversos impostos que consideram ?distorsivos? ede barreiras para as exportações.Como argumento, a ADEFA indica que em fevereiro a produção despencou 31,9% em relação ao mesmo mês do anopassado.Com estes números, o setor afirma que não poderá renovar os contratos de mil empregos temporários.Enquanto em 1999 as montadoras venderam 380 mil unidades, e no ano passado 306 mil, calcula-se que neste ano as vendasnão passarão de 250 mil.

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