Argentinos rejeitam mudar lei para permitir candidatura de Cristina

Argentinos rejeitam mudar lei para permitir candidatura de Cristina

Pesquisa de consultoria de opinião pública mostra que, mesmo mudando a Constituição, presidente perderia para oponentes 

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 12h09

BUENOS AIRES - A maioria dos argentinos rejeita os planos da Casa Rosada para relançar a campanha e modificar a Constituição, permitindo que a presidente Cristina Kirchner dispute sua segunda reeleição em outubro do ano que vem. O dado é resultado pesquisa elaborada pela consultoria de opinião pública Federico González & Cecilia Valladares, na qual 67,5% dos entrevistados posicionaram-se contra a possibilidade de habilitar a presidente para um novo mandato e 27,8% concordam com a ideia de uma mudança da lei.

A ideia de mudar a Constituição foi lançada em 2011, pouco após a reeleição da presidente, com o slogan "Cristina eterna". No entanto, o crescimento da inflação, os escândalos de corrupção envolvendo o vice-presidente Amado Boudou e empresários amigos do casal Kirchner, além da derrota nas eleições parlamentares de 2013, colocaram a pique a campanha.

Para conseguir a mudança na lei, o governo Kirchner precisaria da aprovação de dois terços do Parlamento, algo impossível atualmente, já que a Casa Rosada conta com uma maioria ajustada na Câmara e no Senado.

Há nove dias Máximo Kirchner, filho de Cristina, em discurso perante os militantes de "La Cámpora" (denominação da juventude kirchnerista), lançou aos gritos um desafio à oposição: "ora, por que é que não concorrem contra Cristina e ganham dela?". Máximo, que não possui cargo político, afirmou que a oposição "tem medo das urnas".

O líder do grupo, o deputado Andrés Larroque, também desafiou a oposição. "Que legitimidade poderia ter o próximo governo se não compete contra a pessoa (Cristina) que possui a maior adesão de nosso povo?"

Segundo a pesquisa, se a presidente disputasse uma nova eleição, perderia para o líder da Frente Renovadora, Sergio Massa, peronista dissidente que foi ministro de Cristina. Massa teria 45,1% dos votos, e Cristina, 34,9%. Nesse cenário, 13,8% votariam em branco.

Se a disputa fosse contra o líder do partido Proposta Republicana (PRO) e prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, Cristina teria 36,5% dos votos. Macri conquistaria 38,9%. Os votos brancos constituiriam 19%.

Até agora, a presidente não emitiu sinais sobre um eventual candidato do kirchnerismo. Mas, um dos nomes especulados dentro da Casa Rosada é o do governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, um kirchnerista "light" que os aliados de Cristina não digerem facilmente.

Analistas consideram que Scioli poderia afastar-se do kirchnerismo e apresentar uma candidatura por fora. Enfrentando Scioli nas urnas, Cristina teria, segundo a pesquisa, a única chance de vitória, com 32,7% dos votos, enquanto Scioli conseguiria 28,8% e 30,1% dos eleitores votariam em branco.

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