Argentinos têm saudade de Perón

Os argentinos estão com saudade dos tempos em que existia um Estado que os protegia da pobreza, do desemprego e de ficar sem um teto. Além disso, sentem nostalgia dos tempos nos quais a corrupção estava mais contida. Os argentinos consideram que a atual classe política não tem capacidade - ou vontade - de resolver estes problemas, e por isso consideram que só os líderes do passado poderiam tirar o país da crise presente.Uma pesquisa da agência de publicidade Braga Menéndez perguntou aos argentinos "qual seria o melhor ex-presidente para governar hoje?", e teve respostas inesperadas. Foi necessário retroceder meio século para encontrar um ex-presidente satisfatório: 19% dos pesquisados optaram por Juan Domingo Perón (1946-55 e 1973-74), que implantou um Estado assistencialista e impôs leis trabalhistas sem precedentes na América Latina na época.O segundo colocado é o ex-presidente Arturo Illía (1963-66), um velho médico do interior que transformou-se no único presidente sem acusações de corrupção, e que morreu pobre, em um hospital público nos anos 80.Muito atrás estão os ex-presidentes Raúl Alfonsín (7%), Carlos Menem (7%) e Arturo Frondizi (5%).A surpresa da escolha de Perón foi maior ainda quando a pesquisa indicou que o nome do falecido caudilho, fundador do Partido Justicialista (mais conhecido como "Peronista"), teve mais sucesso entre os jovens. Segundo analistas, o período peronista é o mais associado com a justiça trabalhista e a proteção dos direitos dos trabalhadores, algo escasso na Argentina dos dias atuais, com centenas de milhares de jovens procurando emprego, sem sucesso.Para Fernando Braga Menéndez, diretor da agência de publicidade, o fato de que os pesquisados tenham voltado atrás até Perón, indica que nas últimas quatro décadas não houve política econômica da qual os argentinos tenham saudade.

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