Argentinos temem recessão mundial após ataques

A Argentina está em compasso de espera, aguardando as reações dos mercados internacionais sobre os ataques terroristas contra os Estados Unidos. O temor dos argentinos é de que os ataques acabem precipitando uma recessão mundial, o que agravaria mais ainda os efeitos da recessão local, que dura mais de três anos. Segundo o Secretário de Política Econômica, Federico Sturznegger, "o panorama mundial é pior do que aquele que já tínhamos". O secretário considera que se, a economia mundial desacelerar ainda mais, isso terá um efeito negativo sobre a Argentina. No entanto, Sturzenegger sustentou que o preço do petróleo poderia aumentar, fato que favoreceria a balança externa da Argentina, que é um país produtor. Mas a principal preocupação do governo, segundo ele, é uma eventual "forte desvalorização do real". Isto poderia aumentar a competitividade dos produtos brasileiros na Argentina. Sturzenegger afirmou que "nossa atenção estará concentrada no que aconteça com o real e com o dólar". Para o ex-vice-ministro da Economia, Orlando Ferreres, a taxa de risco do país poderia ter uma queda por causa dos atentados nos EUA. "Não é porque a situação argentina poderia melhorar, mas porque a cotação dos bônus americanos pode piorar", explica. O economista Norberto Sosa alertou para o risco de que a queda do dólar nos mercados aproxime a moeda americana do euro: "Desta forma, seria ativada a cesta de moedas". A cesta de moedas foi criada pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, e aprovada pelo Congresso. Com ela, o peso, além de estar vinculado ao dólar, também ficaria amarrado ao euro. O valor do peso passaria a ser a média da somatória das moedas americana e européia. A cesta começará a existir automaticamente a partir do dia em que um euro for igual a um dólar. "Antes da cesta, uma situação assim teria beneficiado a Argentina. Mas com a cesta, as eventuais vantagens serão nulas", sustentou o analista econômico Marcelo Bonelli. O presidente Fernando De la Rúa sustentou que não acredita que os atentados nos EUA possam aprofundar a recessão mundial. "Ainda é cedo para tirar conclusões", disse, afirmando depois que "tudo voltará à normalidade".

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