Argentinos vão às urnas em meio a apatia generalizada

Os argentinos irão às urnas no domingo para eleger os novos representantes do Congresso nacional, em meio a uma apatia generalizada e a um crescente descontentamento com os dirigentes políticos e o governo do presidente Fernando de la Rúa. As eleições serão as mais importantes antes do pleito presidencial de 2003. Os eleitores vão renovar 127 dos 257 assentos da Câmara dos Deputados e, pela primeira vez na história do país, também escolherão de forma direta as 72 cadeiras do Senado. Até agora, os senadores eram eleitos indiretamente, por meio das assembléias legislativas das províncias. A composição do novo Congresso nacional será decisiva para os dois anos que Fernando de la Rúa ainda tem pela frente no cargo. O presidente ainda não conseguiu tirar o país de uma profunda recessão econômica que já dura 40 meses e atinge cada vez mais a população. As pesquisas de opinião indicam que o percentual de eleitores que votarão em branco ou que anularão o voto deve superar 15%. Trata-se de um "voto de protesto" para manifestar desconfiança, desinteresse ou desgosto para com os dirigentes políticos. Em Buenos Aires, o índice de votos em branco ou nulos pode superar 40%. "A população está muito desgostosa, descrente de toda a classe política", afirmou o analista político Ricardo Rouvier. "As expectativas de que as eleições possam resultar em alguma mudança são muito pequenas", acrescentou. Na campanha, que terminou na quinta-feira, até os candidatos do partido governista manifestaram sua oposição em relação à política econômica, numa tentativa de tirar proveito do descontentamento popular. Entre eles está o ex-presidente Raúl Alfonsín, candidato a senador, e o chefe do gabinete de ministros Rodolfo Terragno, que também disputa uma vaga no Senado. As eleições deste domingo se realizam quando a Argentina atravessa uma severa crise econômico-financeira, uma das piores da última década. Os índices de produção industrial e consumo não param de cair, o desemprego atinge 16,4% da população e cerca de um terço dos 37 milhões de argentinos estão em situação de pobreza. Nesta semana, a Argentina passou a ser o país de maior risco do mundo, ultrapassando a Nigéria e o Equador, entre outros.

Agencia Estado,

12 Outubro 2001 | 18h29

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